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Homilia para o XXIX Domingo Comum - Ano B

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Meditação XXIII - Terça-feira da IV semana da Quaresma

April 9, 2019

Reze o Salmo 118/119,9-16

Retornemos ao texto que estávamos meditando. Leia Gl 4,1-7

 

1. “Enviou Deus o Seu Filho!” A bendita Vinda do Filho de Deus entre nós, pelo mistério da Encarnação, é a chegada da plenitude dos tempos! Deus sempre procurara os homens, pois nos criou para Ele, Dele sedentos (cf. Sl 62/63). O Senhor Deus veio ao nosso encontro já quando nos criou, dando-nos sede Dele, depois, falando ao Povo de Israel, preparando tudo para a plenitude dos tempos, quando Ele mesmo viria, pessoalmente, no Filho Jesus Cristo.

Leia Hb 1,1s e Mt 21, 33-44: nos dois textos aparece como a vinda do Cristo é de uma qualidade e de uma importância totalmente diferente do que Deus fizera antes: agora é o próprio Filho, um com o Pai (cf. Jo 10,30)!

O desenvolvimento do plano da salvação no tempo é o que chamamos de economia da salvação e ela chega à sua plenitude com a Vinda de Nosso Senhor, como chegará à sua consumação no Dia de Cristo, no Dia Final, da Glória eterna.

 

2. São Paulo deseja mostrar aos gálatas que a vinda do Senhor a este mundo inaugura um tempo novo, um novo e definitivo estágio na economia da salvação: Deus enviou o próprio Filho! Ele, o Prometido, Ele mesmo, “que é, acima de tudo, Deus bendito pelos séculos” (Rm 9,5), veio debaixo da Lei, como vimos na meditação passada, para “resgatar os que estavam sob a Lei” (v. 5), isto é, tanto sob o fardo da Lei de Moisés (os judeus) quanto sob o fardo da lei do pecado (os gentios). Assim, Cristo é o salvador, o libertador de todos os homens, de todos os fardos! Leia Lc 4,16-22 e releia o importantíssimo texto de Rm 3,21-27.

 

3. Como o Senhor nos resgata do fardo da Lei? Cumprindo tudo quanto as Escrituras de Israel predisseram da parte do Senhor Deus (cf. Lc 24,25-27; 2Cor 1,18-20; Ap 3,14): o Filho eterno do Pai, verdadeiro Deus com o Pai e como o Pai, verdadeiramente feito homem, como homem tomou nossos pecados e, num ato de total obediência ao Pai, como Isaac (cf. Gn 22,1-2.9-10; Rm 8,32), entregou-Se em sacrifício de amor ao Pai pelos nossos pecados (cf. Jo 14,31; Gl 2,20), em nosso nome, rasgando “o documento” que nos acusava (cf. Cl 2,14). Crendo em Cristo e Nele sendo batizados, morremos com Ele e estamos livres dos preceitos da Lei de Moisés e da tirania da lei do pecado e da morte, já que, aqueles que morrem ficam livres de quaisquer dívidas ou acusações! Ainda no Batismo, ressuscitando com Cristo, passamos a viver uma Vida nova, não mais debaixo do fardo da Lei de Moisés ou da lei do pecado, mas sob o leve e suave fardo do Espírito do Cristo Jesus, Espírito de amor, que nos faz viver uma Vida nova que produz frutos novos (cf. Jo 15,1-8; Gl 5,16-24).

Leia atentamente Cl 2,11-14 e Rm 8,1-12. São textos que já foram lidos aqui, mas aos quais é necessário retornar sempre, descobrindo neles sempre novas perspectivas e riquezas!

 

4. Vamos adiante! O Filho foi enviado por Deus, o Pai, nascido de mulher (verdadeiramente humano), nascido sob a Lei de Moisés (verdadeiramente judeu) – cf. Lc 3,23.34.38 –, para resgatar a todos “a fim de que recebêssemos a adoção filial” (v. 5)! Eis o motivo da Vinda do Filho: dá a todos a graça de serem tornados verdadeiramente filhos do Deus e Pai de Jesus Cristo, o verdadeiro Isaac! Atenção, que esta afirmação é central no cristianismo! Aprofundemo-la um pouco...

 

a) Por natureza, somos criaturas de Deus, por Ele amados. Como já expus numa anterior meditação, já que tudo foi criado pelo Pai através do Filho e para o Filho no Espírito (cf. Jo 1,3; Cl 1,15s; 1Cor 8,6) certamente toda a criação é continuamente sustentada pelo Espírito do Pai e toda ela tem algo de filial, tem o que poderíamos chamar de filialidade. Assim sendo, toda a criação é, de certo modo, naturalmente, filha de Deus, pois Ele é criador, sustentador, provedor, cuidador, protetor... Neste sentido, todo homem e toda criatura é “filha de Deus” e Deus é pai (com minúscula) de toda a criação e de toda a humanidade. Mas, não é disto nem é neste sentido que o Novo Testamento fala em filiação divina; não no sentido de filialidade! Convém notar ainda que as Escrituras não apreciam muito esta ideia de Deus ser pai da criação para não dar a entender que Deus Se mistura com o mundo ou que o mundo seja divino, seja da natureza de Deus.

 

b) Também é importante ressaltar que a humanidade, criada em filialidade, por causa do pecado, está debaixo da ruptura com Deus, a ponto de São Paulo afirmar sem meias palavras: “Vós estáveis mortos em vossos delitos e pecados. Nele vivíeis outrora, conforme a índole deste mundo, conforme o Príncipe do poder do ar, o espírito que agora opera nos filhos da desobediência. Com eles, nós também andávamos outrora nos desejos de nossa carne, satisfazendo as vontades da carne e os seus impulsos, e éramos por natureza como os demais, filhos da ira” (Ef 2,1-3). Aqui, é necessário ser sério e fiel à Palavra de Deus: o ser humano, por si só, por natureza, tornou-se “filho da ira” e não tem a filiação por adoção em Cristo! Esta é e será sempre a nossa fé! A filiação somente nos é dada pela adesão a Jesus Cristo e o Batismo no Seu Espírito! Não há outro meio: “Todos pecaram e todos estão privados da Glória de Deus e são justificados gratuitamente, por Sua graça, em virtude da redenção realizada em Cristo Jesus” (Rm 3,23s). Por isso mesmo a urgência missionária de proclamar o Nome de Jesus Cristo, fazendo discípulos Seus em todas as nações (cf. Mt 28,18-20; Mc 16,15; 1Cor 9,16; 1Jo 1,1-4). Esta ordem a Igreja recebeu do Senhor e jamais poderá transcurá-la sob pena gravíssima de pecado, de infidelidade, de perder sua razão de ser! A Igreja a ninguém poderá negar ou omitir jamais e sob hipótese alguma o anúncio do Nome de Jesus como Cristo de Deus e único Salvador da humanidade (cf. At 4,12)!

 

c) O Deus Uno e Trino criou o homem para muito mais que uma relação de filialidade. O destino de todo o ser humano é receber no seu íntimo o Espírito do Filho Jesus Cristo feito homem, imolado e ressuscitado, tornando-se realmente filho de Deus, por graça absoluta da salvação obtida pelo Filho, e não só pela própria graça da criação. É disto que se trata no Novo Testamento quando se fala em adoção filial. Esta adoção é real, eficaz, fazendo-nos realmente participantes da natureza divina! E isto somente se obtém pela fé em Jesus Cristo e o Batismo no Seu Espírito de Filho. Leia At 2,37-41; 4,10-12; 15,13-18; 17,22-31; 26,17-18.

 

d) É importante compreender a palavra adoção como São Paulo a imagina: não como uma filiação postiça, mas uma filiação real (cf. 1Jo 3,1), que dá ao que foi adotado o nome daquele que o adotou e todos os direitos legais de herança e demais aspectos de um filho natural! Somente assim, o homem atinge o fim para o qual fora criado: chegar à plena comunhão com o Deus Uno e Trino, tornando-se filho do Pai através do Filho Unigênito, feito Primogênito de muitos irmãos, no Espírito Santo que Ele, imolado e ressuscitado derramou e derramará sempre sobre os que Nele crerem quando do Sacramento do Batismo (cf. Ef 1,3-5.13-14; Tt 3,4-7). Por isso mesmo a afirmação exultante do Apóstolo: “Se alguém está em Cristo, é nova criatura. Passaram-se as coisas antigas; eis que se fez realidade nova. Tudo isto vem de Deus, que nos reconciliou Consigo por Cristo e nos confiou o ministério da reconciliação. Pois era Deus que em Cristo reconciliava o mundo consigo, não imputando aos homens e pondo em nós a palavra da reconciliação” (2Cor 5,17-19).

 

5. Como eu já expliquei várias vezes, é no Espírito Santo do Filho que somos tornados filhos no Filho. Este Espírito é derramado no Batismo (cf. Jo 3,5s; Tt 3,4-7). É o que diz o santo Apóstolo aos gálatas: “Porque sois filhos– isto é, para que sejais filhos –, enviou Deus aos nossos corações o Espírito do Seu Filho, que clama: Abbá, Pai!” (v. 6). É o mesmo pensamento expresso em Rm 8,15-16. Por favor, leia atentamente este texto antes de seguir adiante!

É impressionante que tanto na Carta aos Gálatas como na Epístola aos Romanos, o Apóstolo, ao falar da filiação, utilize a palavra aramaica Abbá para referir-se ao Pai de Jesus Cristo. Ora, Abbá era o mesmíssimo modo com que o Senhor Jesus, nos dias de Sua vida entre nós, referia-Se ao Seu Pai do Céu (cf. Mc 14,36). O significado é profundo: batizado no Santo Espírito de Cristo, o discípulo entra realmente na relação filial que Jesus Cristo nosso Senhor tem com o Seu Pai. A filiação divina que somente o Senhor Jesus Cristo tem por natureza, nós temos verdadeiramente por graça. Por isso, após a Ressurreição, o Senhor nos chama de irmãos (cf. Mt 28,10; Jo 20,17) e, de Unigênito do Pai (cf. Jo 1,14.18; 3,16.18; 1Jo 4,9), torna-Se “o Primogênito de muitos irmãos” (Rm 8,29s)!

 

6. Finalmente, a bela, emocionante, consoladora e intensa conclusão: “De modo que já não és escravo, mas filho. E se és filho, és também herdeiro, graças a Deus!” (v. 7) Aquele que crê em Jesus como o Cristo de Deus recebe o Batismo no Espírito do Filho e deixa de estar sob a Lei de Moisés e sob a lei do pecado (cf. Rm 8,2)! Agora, já não é escravo e, tendo recebido a adoção filial é tornado, realmente, filho no Filho (cf. Rm 8,14s)! Sendo Filho, está livre das observâncias da Lei de Moisés e de ser escravo das paixões pecaminosas dos pagãos, que não conhecem a Deus (cf. Cl 3,5-11)! Sendo Filho é herdeiro com Cristo, herdeiro da Vida divina, herdeiro da plenitude do Reino de Deus, herdeiro do Céu! É isto! O que poderia o homem esperar mais que isto: ter a Vida mesma de Deus em plenitude e por toda a eternidade? (cf. Rm 6,20-23; 8,11; Ef 2,5-10) E tudo isto por pura graça de Deus e não em virtude das observâncias legais os preceitos da Lei de Moisés!

 

7. Basta, por agora! Procure reler e meditar e rezar... Se desejar, reze o Sl 137/138.

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