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Homilia para o XXIX Domingo Comum - Ano B

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Meditação XXV - quinta-feira da IV semana da Quaresma

April 9, 2019

Reze o Salmo 118/119,25-32

Leia Gl 4,12-20

 

1. Esta perícope tem um sabor bem afetivo, marcado por recordações pessoais: o Apóstolo tenta reconquistar os gálatas para o Evangelho genuíno. No v. 12, ele afirma que se tornou como os gálatas, que eram gentios e não tinham a Lei de Moisés: São Paulo, judeu, fariseu estudado e zeloso da Lei e das tradições judaicas, deixou tudo, tudo considerou perda por causa de Cristo. Agora ele vive sem a Lei de Moisés, livre das observâncias minuciosas que sempre praticara quando vivia como fariseu. É difícil, para nós imaginar isto, mas Cristo foi, realmente, uma revolução na vida do Apóstolo. Por causa do Senhor, ele mudou totalmente seu modo de viver, colocando-se, agora, totalmente a serviço do Evangelho. Não deixa de ser comovente o testemunho do Apóstolo!

Leia o comovente e apaixonado texto de Fl 3,2-16. Como Cristo transformou Paulo, como a adesão a Cristo o colocou em crise! Como o Apóstolo correspondeu de modo generoso e total à graça que recebeu! E você? O que mudou por Cristo? O que perdeu? O que está disposto a mudar? Não se pode ser cristão sem mudar de vida por cristo! Não se pode dizer que ama a Cristo sem perder nada por Ele? Você O ama? Mesmo?!

Veja também 1Cor 9,19-23. Procure refletir sobre este dom que São Paulo recebeu: a capacidade de sair de si, de fazer-se tudo para todos por causa de Cristo!

 

2. Paulo, de modo emotivo, quase que implorando, convida os gálatas a deixarem para trás o apego à letra da Lei de Moisés, como ele próprio deixara: “Que vos torneis como eu, pois eu também me tornei como vós!” (v. 12). O Apóstolo não mais procurou segurança na observância da Lei de Moisés, no fato de ser judeu ou fariseu, mas somente em Cristo! Caminhar com Cristo é apoiar-se somente Nele, somente Nele procurando a segurança e Dele somente fazendo o tesouro de sua própria vida. Leia Rm 10,1-13.

 

3. Uma outra realidade admirável aqui é o coração de pastor que São Paulo tem: como sabe sair de si pelo bem do rebanho, como sabe esquecer-se dos seus interesses e comodidades para ganhar o rebanho para o Cristo continuamente. Não é o rebanho que o serve, mas ele que serve o rebanho, como o Senhor! Leia Mt 20,24-28; Jo 13,1-17; 2Cor 12,14b-15.

Os gálatas foram ingratos e cruéis com Paulo e, no entanto, o santo Apóstolo não leva as coisas para o lado pessoal, para uma questão de honra: “Em nada vós me ofendestes!” (v. 12b). Ele não está sentido porque fora traído pelos gálatas, que esqueceram do que ele lhes ensinara, desconfiaram da verdade da sua pregação e rapidinho se bandearam para outros mestres que chegaram ensinando doutrinas contrárias a de Paulo e desfazendo do trabalho do Apóstolo... A questão, para o Apóstolo, não é pessoal; trata-se, antes de mais nada, da integridade do Evangelho de Cristo e do bem espiritual dos gálatas!

 

4. Nos vv. 13-15, Paulo recorda as vezes em que esteve na Galácia, como fora bem recebido na primeira vez que lá estivera, apesar da situação difícil e talvez repugnante em que se encontrava, causada por uma doença. Os gálatas receberam-no bem, como a um anjo de Deus; fizeram o possível e o impossível por ele. Entre o Apóstolo e os fieis gálatas nascera o belo afeto que devia haver entre o pastor e o rebanho. E agora, de repente, suas ovelhas, seus gálatas, dão-lhe as coisas e vão atrás de mestres estranhos, que não queriam outra coisa que o prestígio de ter a quem manipular, de ter plateia! Paulo sofre!

Pense um pouco: na Igreja, quantas vezes experimentamos crises de relacionamento, ingratidões, injustiças... Recorde as decepções que você já teve com a Igreja e na Igreja... E, no entanto, o amor de Cristo fez Paulo permanecer e deverá também fazer você permanecer! É por causa de Cristo, é em Cristo, é com Cristo!“Senhor, a quem iremos? Só Tu tens palavras de Vida eterna!” (Jo 6,68)

 

5. Agora, a exclamação que é uma belíssima explosão de afeto do coração de um verdadeiro pastor: “Meus filhos, por quem sofro de novo as dores do parto até que Cristo seja formado em vós” (v. 19) Eis aqui: ser verdadeiramente pastor, condutor fiel do rebanho de Cristo e “administrador dos mistérios de Cristo” (1Cor 4,1) tem um custo alto! O verdadeiro pastor não é frio, distante; não é um mercenário que não se incomoda pelas ovelhas! Ele tem entranhas de misericórdia, ele, conhece as ovelhas, sofre por elas, com elas se envolve porque são de Cristo, o Bom Pastor, e, como Ele, tudo quanto o pastor fiel deseja é poder dizer: “Não perdi nenhum dos que me deste!” (Jo 18,9)

Reze pelos pastores da Igreja! Reze! Que, nestes tempos tão difíceis, eles sejam fieis a Cristo, fieis ao rebanho, fieis no ensino da verdadeira e perene doutrina católica, capazes de apascentar guiados pelo Evangelho e não por ideologias mundanas nem pelos próprios interesses! Que o Senhor dê à Sua Igreja pastores que não escandalizem, não dividam, não se coloquem acima do rebanho ou, pior ainda, contra o rebanho! Que o Senhor nos dê pastores segundo o Seu Coração (cf. Jr 3,15).

 

6. Por fim, todo o sofrimento e perplexidade de Paulo com os gálatas aparecem em duas frases dele: “Então, dizendo-vos a verdade, tornei-me vosso inimigo?” (v.16) O verdadeiro pastor não é um “cão mudo”,não cala a verdade de Cristo, mesmo que doa, mesmo que isto lhe traga dificuldades e incompreensões. O verdadeiro pastor não procura os seus interesses, mas os de Jesus Cristo! Leia Is 56,10 – 57,2.

Finalmente, o desabafo sofrido, quase no limite das possibilidades: “Não sei que atitude tomar a vosso respeito” (v. 20).Quantas vezes no ministério de pastor e na vida de todos nós encontramo-nos em situações assim: não saber que caminho seguir. Qual a solução? Rezar, colocar nossa causa diante do Senhor! Muitas vezes o Apóstolo rezou pelos fieis que lhe foram confiados (cf. Fl 1,3; Ef 1,16; Fm 4-5). E você, nos momentos difíceis e incertos, o que faz? Sabe derramar o coração diante de Deus? Reza? Confia? Espera no Senhor? Pense nisto!

 

7. Reze o Sl 22/23. Coloque no Senhor a sua confiança!

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