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Homilias para o Domingo de Ramos e da Paixão do Senhor - ano c

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Para a procissão de Ramos:

 

Lc 19,28-40

 

Este Domingo sagrado celebra dois mistérios: (1) a Entrada solene do Senhor Jesus em Jerusalém para viver Sua Passagem do mundo para o Pai e (2) o Mistério de Sua Paixão, Morte e Sepultura. Daí o título deste dia: Domingo de Ramos e da Paixão. A procissão é de ramos; a missa é da paixão.

 

Que significa a entrada de Jesus em Jerusalém hoje?

Ele é o Descendente de Davi, o Filho de Davi e, portanto, o Messias prometido por Deus e esperado por Israel. Por isso o povo grita: “Bendito o Rei, que vem em nome do Senhor!” Jesus é saudado como o Rei de Israel, novo Davi, Messias que chega à Cidade de Davi! E Jesus, de fato, é Rei, é Messias!

A Festa de hoje é, em certo sentido, uma festa de Cristo Rei, Rei-Messias! É uma festa de exultação!

Mas, estejamos atentos: Ele entra na Cidade Santa montado não num cavalo, que simboliza poder e força, mas entra num jumentinho, usado pelos pobres nos serviços mais humildes e duros. Isto tem muito a nos dizer: Jesus é o Messias, mas um messias pobre, um messias servo, que “não veio para ser servido, mas para servir e dar a vida em resgate por muitos” (Mc 10,45). O Seu serviço é um só: “dar a vida em resgate por muitos”. Ele é o Messias-Servo Sofredor, do qual falava o profeta Isaías. Aquele que tomará sobre Si as nossas faltas e será ferido pelas nossas feridas... Pois bem, é com este propósito que Jesus entra em Jerusalém hoje.

 

Quanto a nós, vamos com Ele!

Os ramos que trazemos nas mãos significa que reconhecemos Jesus como o Messias de Israel, prometido por Deus. Significa também que nos dispomos a segui-Lo como o Servo que dá a vida na Cruz.

Levaremos estes ramos para casa. Devemos guardá-los num lugar visível durante todo o ano, para recordar nosso compromisso de seguir o Cristo num caminho de humildade e despojamento; Cristo que confia no Pai até a morte e não Se cansa de fazer da vida um serviço de amor. Seguir hoje em procissão com os ramos na mão significa proclamar diante do mundo que cremos nesse Jesus fraco, humilde, silencioso, crucificado, loucura para o mundo, mas sabedoria de Deus; fraqueza para o mundo, mas força de Deus!

 

Rejeitemos, então, por amor de Cristo, toda visão de um cristianismo que se resume a procura de curas, milagres, solução de problemas, um cristianismo que trai o Evangelho e renega a Cruz de nosso Senhor Jesus Cristo, um cristianismo falso, que enche templos e esvazia o escândalo da Cruz!

Lembremo-nos de Jesus Cristo! “Fiel é esta palavra: se com Ele morremos, com Ele viveremos. Se com Ele sofremos, com Ele reinaremos!” (2Tm 2,11s).

Que tenhamos a coragem de proclamar com a vida e as palavras esse Jesus, porque se nos calarmos “as pedras gritarão”...

 

 

Para a Missa da Paixão do Senhor

 

Is 50,4-7

Sl 21

Fl 2,6-11

Lc 22,14 – 23,56

 

Com esta santa Eucaristia, iniciamos a Grande Semana. Tomemos três frases da Paixão que acabamos de ouvir. Elas são suficientes para inspirar-nos hoje.

Primeira palavra: “Desejei ardentemente comer convosco esta Páscoa antes de sofrer”. Esta frase do Senhor, saída do Seu Coração, é dirigida também a nós; é um convite a celebrarmos Sua Páscoa, participando na liturgia e na vida de Suas dores para também participarmos de Sua vitória, de Sua Ressurreição.

Comer com Cristo a santa Páscoa é nos dispor a participar de Sua sorte, de Seu caminho rumo à Cruz e à Ressurreição. Nunca esqueçamos: “Ele esvaziou-Se de Si mesmo, fazendo-Se obediente até a morte e morte de Cruz. Por isso Deus O exaltou acima de tudo”.

Este é o caminho pascal de Jesus e nosso. Disponhamo-nos, portanto, a caminhar com Ele. Aceitemos o Seu convite para comer com Ele esta Páscoa sagrada. Participemos ativa e piedosamente dos santos mistérios celebrados nestes dias e estejamos também dispostos a vivê-los na nossa vida.

 

Segunda palavra: “Quem vai Me trair é aquele que comigo põe a mão no prato”. Que afirmação tão dolorosa: um de nós, um que come com o Senhor, um que participa da Sua Mesa, O entregou! Esta advertência de Jesus deve ser sempre recordada por cada um de nós, que participamos de Sua Eucaristia! E que ninguém seja presunçoso como Pedro! Que humildemente nos perguntemos: “Mestre, serei eu?”

Traímos Jesus como Judas quando na hora da Cruz O renegamos, deixamo-Lo, fugimos, buscando as facilidades de uma vida mundana, de valores mundanos, de uma lógica mundana. Seguimo-Lo de longe, como Pedro, quando pretendemos ser cristãos sem nos comprometermos com Ele, sem por Ele nada renunciarmos, sem Nele empenharmos nossa vida! Não O reneguemos como Pedro; não Lhe demos o beijo de Judas! Que possamos escutar, um dia, a afirmação do Senhor: “Vós ficastes Comigo em Minhas provações!”

 

Terceira palavra: “Eu estou no meio de vós como aquele que serve”. Nesta frase do Senhor está o sentido do que celebraremos durante esta santíssima Semana. Ele mesmo disse que veio para servir e dar a vida em resgate da multidão (cf. Mc 10,45). É assim que Ele está em nosso meio: como Aquele que dá a vida por nós, que Se entrega por amor. Aquilo que Ele realizara na Sua existência toda, acolhendo, perdoando, curando, restaurando a esperança, isto é, entregando-Se a nós e por nós, agora Ele iria consumar até a Morte e morte de Cruz! Acolher esse serviço é reconhecer que Cristo morreu por nós, por nós entregou Sua vida e, assim, ser-Lhe grato de todo o coração, como Paulo, que exclamava: “Ele me amou e Se entregou por mim” (Gl 2,20). Sejamos-Lhe gratos: vivamos também nós por Ele!

 

Caríssimos, estejamos de coração atento para vivenciar, nestes dias sagrados, tão grande mistério! Não recebamos em vão a graça de Deus: que aprendendo os ensinamentos de Sua Paixão, ressuscitemos com Ele em Sua Glória. Amém.

 

Nós Vos adoramos, Senhor Jesus Cristo, e Vos bendizemos, porque pela Vossa santa Cruz remistes o mundo.

 

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