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Homilia para a Solenidade da Santíssima Trindade - Ano C

June 16, 2019

 

Pr 8,22-31

Sl 8

Rm 5,1-5

Jo 16,12-15

 

De certo modo, é estranho celebrar com uma festa litúrgica a Santíssima Trindade, pois a Trindade Santa é celebrada em toda a vida cristã e, particularmente, em toda e cada Eucaristia.

Nunca esqueçamos, nunca percamos de vista que a Missa é glorificação da Trindade Santíssima, é a ação sacrifical na qual o Filho Se oferece e é por nós oferecido ao Pai na potência do Espírito Santo, para a salvação nossa e do mundo inteiro.

Mas, aproveitando a festa hodierna, façamos algumas considerações que nos ajudem na contemplação e adoração desse Mistério tão santo, que nos desvela a Vida íntima do próprio Deus.

 

Poderíamos começar com uma pergunta provocadora: como a Igreja descobriu a Trindade? Descobriu-A, como duas pessoas se descobrem: revelando-se! Duas pessoas somente se conhecem de verdade se conviverem, se forem se revelando no dia-a-dia, se se amarem. Só há verdadeiro conhecimento onde há verdadeiro amor! É costume dizer-se que ninguém ama o que não conhece; pois, que seja dito também: ninguém conhece o que não ama. O amor é a forma mais profunda e completa de conhecimento! Foi, portanto, por puro amor a nós, à nossa pobre humanidade, que Deus quis dirigir-Se a nós, desde os primórdios da humanidade quis revelar-Se, convivendo conosco, abrindo-nos Seu coração, dando-nos a conhecer e a experimentar Seu amor... E fez isso trinitariamente! Então, desde o início, a Igreja experimentou Deus na sua vida concreta, e o experimentou trinitariamente, como Pai, como Filho e como Espírito Santo. Assim, antes de falar sobre a Trindade, a Igreja experimentou a Trindade!

 

Primeiramente, o Senhor Deus incutiu no coração do Povo de Israel e da própria Igreja que Ele é um só: “Ouve, ó Israel, o Senhor nosso Deus, o Senhor é um só!” (Dt 6,4)

Um porque não pode haver outro ao Seu lado, já que tudo é absolutamente preenchido por Ele,

Um porque não pode ser multiplicado,

Um porque não pode ser dividido

e Um porque deve ser o único horizonte, o único apoio, a única rocha de nossa existência:

Ele, o Senhor Deus, é o único absoluto, o único que É, sem princípio e sem fim, sem mudança e sem limite!

Jamais poderemos imaginar tal grandeza, tal plenitude, tal suficiência de Si mesmo!

Deus É – e basta!

Tudo o mais apenas existe porque vem Dele, Daquele que É!

Mas, Ele não é um Deus frio: sempre apresentou-Se ao Povo de Israel como um Deus amante, um Deus de misericórdia e compaixão, um Deus que não sossega enquanto não levar à plenitude da vida as Suas criaturas. Por isso, com paciência e bondade, conduziu o Seu Povo de Israel, formando-o, educando-o, orientando-o e prometendo um futuro de bênção e plenitude, de eternidade e abundância de dons, que se concretizaria com um personagem que Ele enviaria: o Messias, Seu Ungido, doador do Espírito de Vida, bênção, paz e abundância para o Seu Povo e para toda a criação.

 

Esse Messias prometido, cheio do Espírito e doador do Espírito, nós, cristãos, O reconhecemos em Jesus, nosso Senhor. Ele é o enviado de Deus, do Deus único, Deus de Abraão, de Isaac e de Jacó, Deus do Povo de Israel. A esse Deus tão grande e tão santo, Jesus chamava de Abbá – Papai: o Meu Papai! A Si mesmo, Jesus Se chamava “o Filho” – Filho único, unigênito de Deus, Filho Amado, cheio de graça e de verdade, cheio do Espírito de Deus! Mais ainda: o próprio Jesus, que veio para nós e por amor de nós, agiu neste mundo, em nosso favor, com uma autoridade que ultrapassava de longe a autoridade de um simples ser humano: Ele agia como o próprio Deus! Não só interpretava a Lei de Moisés, como também a modificou e a ultrapassou; perdoava os pecados, exigia um amor e uma obediência absolutos à Sua Pessoa, demandava um amor que somente Deus poderia exigir. Jesus Se revelava igual ao Pai, absolutamente unido a Ele: “Eu e o Pai somos uma coisa só! Quem Me vê, vê o Pai. Eu estou no Pai e o Pai está em Mim”.

Após a ressurreição, a Igreja compreendeu, impressionada, maravilhada: Jesus não somente é o enviado Daquele Deus a Quem chamava de “Pai”, mas Ele é igual ao Pai: Ele é Deus como o Pai, é eterno como o Pai, é o Filho amado pelo Pai desde toda a eternidade. Então, o Deus de Israel é Pai, Pai eterno, Pai eternamente, que eternamente gera no amor o Filho amado. Por amor, Ele nos enviou este Filho: “Verdadeiro homem, concebido do Espírito Santo e nascido da Virgem Maria, viveu em tudo a condição humana, menos o pecado. Anunciou aos pobres a salvação, aos oprimidos, a liberdade, aos tristes, a alegria”. E para realizar o plano de amor do Pai, “entregou-Se à morte e, ressuscitando dos mortos, venceu a morte e renovou a vida”. 

 

Mas, há ainda mais: o Filho, que sempre viveu entre nós agindo na força do Espírito do Deus de Israel, uma vez ressuscitado e glorificado, derramou sobre os Seus discípulos o Espírito Santo, que é o próprio Amor que o liga ao Pai. Este Espírito de Amor não é uma coisa, não é simplesmente uma força, não é algo: é Alguém, é o Amor que une o Pai e o Filho, e agora é, na Igreja de Cristo, o Paráclito-Consolador, Aquele que dá testemunho de Jesus morto e ressuscitado, Aquele que vivifica e orienta a Igreja, Aquele que renova em Cristo todas as coisas. Ele é o Dom que o Filho ressuscitado recebeu do Pai e derramou sobre a Igreja, para vivificar de Vida divina, santificar com a Santidade divina todas as coisas. Este Espírito permanece no nosso meio na Palavra e nos sacramentos; este Espírito suscita na Igreja dons, carismas, ministérios, dinamismo provindos do próprio Deus; Ele conserva a Igreja unida na mesma fé e na mesma caridade fraterna, este Espírito é a Força divina, a Energia criadora que nos ressuscitará, como ressuscitou o Filho Jesus para a glória do Pai.

 

É assim que a Igreja confessa um só Deus, imutável, indivisível, perfeito, eterno, absolutamente um só. Mas confessa e experimenta igualmente que, desde toda a Eternidade, este Deus único é real e verdadeiramente Pai, Filho e Espírito Santo, numa Trindade de amor perfeito e perfeitíssima Unidade. A oração inicial da Missa de hoje, exprime este Mistério: “Ó Deus, nosso Pai, enviando ao mundo a Palavra da verdade, que é o Filho, e o Espírito santificador, revelastes o Vosso inefável mistério. Fazei que, professando a verdadeira fé, reconheçamos a glória da Trindade e adoremos a Unidade onipotente”.

 

Continuemos, então, a nossa Eucaristia, na qual torna-se presente sobre o Altar a oferta do Filho que, por nós, entregou-Se ao Pai num Espírito eterno. Que toda a nossa existência e que a existência da própria Igreja seja um louvor, uma glorificação, uma doxologia como aquela solene proclamação que conclui a Oração Eucarística de cada Missa: “Por Cristo, com Cristo e em Cristo, a Vós Deus Pai todo-poderoso, na Unidade do Espírito Santo, toda honra e toda glória agora a para sempre!” Eis, portanto: ao Pai, ao Filho e ao Santo Espírito, Trindade santa a consubstancial, a glória e o louvor pelos séculos dos séculos. Amém.

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