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No Evangelho de hoje, o Senhor nosso Jesus Cristo envia em missão setenta e dois discípulos. Estamos no capítulo 10 do Evangelho segundo São Lucas. No capítulo 9, Ele já enviara os Doze, dando-lhes “poder e autoridade sobre todos os demônios, bem como para curar doenças, e enviou-os a proclamar o Reino de Deus” (9,1-2a). Agora, o Senhor envia setenta e dois. Que significa isto? Por que estes dois grupos distintos de discípulos? Podemos pensar em dois motivos.

Primeiro: Doze é o número de Israel – e o Senhor foi enviado para salvar Israel; setenta ou setenta e dois é o número das nações pagãs – e, após a Ressurreição, os discípulos deveriam dirigir-se a todos os povos da terra, sem exceção, para que se cumprisse o que os profetas anunciaram e a primeira leitura desta santa Eucaristia nos anunciou: todas as nações da terra haveriam de se alegrar com a salvação do Deus de Israel, que seria manifestada em Jerusalém. Ora, esta Cidade Santa que consola, alimenta e acaricia como uma mãe, é imagem da verdadeira Jerusalém, do verdadeiro “Israel de Deus”,de que fala a segunda leitura, isto é, da Igreja! É ela o verdadeiro e definitivo Israel de Deus, é ela a Jerusalém do Alto que “é livre e é nossa Mãe” (Gl 4,26)!

Mas, há ainda um segundo motivo: se os Doze são o núcleo da Igreja e deles brotam a autoridade e todo o ministério apostólico, que continua na Igreja no ministério dos Bispos e dos padres e diáconos em comunhão com eles, por outro lado, os Doze não esgotam, não abarcam toda a missão da Igreja! Os setentas e dois recordam isto: para além dos Apóstolos e seus sucessores, o Senhor envia a todos, o Senhor conta com todos os Seus discípulos, conta com cada batizado, para que, cheios de zelo e coragem, vão “à Sua frente a toda cidade e lugar aonde Ele mesmo devia ir!” Sim, Irmãos no Senhor: somos todos enviados por Cristo, em certo sentido, somos todos sacramentos de Cristo, sinais de Cristo neste mundo, nas cidades do mundo, nas situações e realidades do mundo! Aí devemos ser testemunhas do Senhor “como cordeiros entre lobos”, num mundo que não é bonzinho nem simpático, nem irá nos acolher com facilidade!

 

O Evangelho, caríssimos, se for pregado de verdade e na verdade, será pregado sempre em fraqueza, pois o verdadeiro discípulo de Cristo estará crucificado para o mundo e o mundo para ele! Nunca esqueçamos: o Evangelho não é simpático, não é bonzinho, não é óbvio! O anúncio do Reino de Deus exige que o homem se deixe, se esvazie de si próprio, dos seus vícios, da sua descrença, das suas manhas, para que Deus reine de verdade no seu coração. Ora, isto não é fácil nem para nós nem para ninguém! Por isso mesmo, o Senhor deixa claro hoje a séria possibilidade de sermos rejeitados, de termos de bater a poeira de nossas sandálias e seguirmos adiante, sem nos preocupar ou fazer conta com sucesso e fracasso! Atenção: o Senhor não nos envia para que façamos sucesso, mas para que sejamos fieis, trazendo em nós as marcas de Cristo, como São Paulo diz, na primeira leitura de hoje! Ai, Irmãos, como isto é esquecido na Igreja dos nossos dias! Deseja-se sucesso, deseja-se ser simpático ao mundo, deseja-se ser acolhido, aplaudido, compreendido, elogiado pelo mundo! Como anda esquecida a afirmação do santo Apóstolo Paulo: “Se eu quisesse ainda agradar aos homens, não seria servo de Cristo!” (Gl 1,10)

 

Caríssimos, o Senhor Jesus, ao nos enviar, faz uma constatação tão atual e urgente: “A messe é grande, mas os trabalhadores são poucos”.Meus amados Irmãos, será sempre assim! A messe será sempre muito maior que as nossas possibilidades! Os ministros da Igreja e os evangelizadores serão sempre poucos em relação às necessidades e desafios do mundo. O que fazer? Inventar soluções artificiais? Acabar com o celibato obrigatório dos padres? Não! Este não é o caminho indicado por Cristo, esta não é a solução de quem realmente tem fé! Isto cabe em corações mundanos, que fazem cálculos segundo a carne, mas não pensam segundo Cristo!

O próprio Senhor, que aponta o desafio, indica também a solução: “Pedi ao Dono da messe que mande trabalhadores para a colheita!” Por que duvidamos? Por que não obedecemos? Por que a temeridade de colocar à prova o Senhor? Ele é fiel! Ele nunca deixará de chamar e enviar os operários para a messe! Rezemos, imploremos, insistamos! Peçamos ao Senhor que envie padres, diáconos, missionários leigos e religiosos, cheios de amor genuíno e apaixonado pelo Senhor, capazes de anunciar com toda a vida e com toda a alma o Reino de Deus, convidando todos a uma verdadeira conversão de vida, deixando os ídolos do mundo e convertendo-se ao Deus vivo e verdadeiro (cf. 1Ts 1,9).

 

Observai, Irmãos, como a missão da Igreja não deve se dar pelos critérios humanos, por medidas de sucesso, pela riqueza de meios e técnicas, pela segurança e o aplauso do mundo, mas, ao invés, pela confiança no Senhor e no Seu poder, pela fidelidade, pela generosidade da entrega da nossa vida, do nosso esforço, do nosso amor! Sem bolsa nem sacola nem sandálias, sem perder tempos com saudações desnecessárias e discursos ou raciocínios inúteis, sem medo da incompreensão e da rejeição, mas com uma única certeza, com um único anúncio, com uma única novidade: “O Reino de Deus está próximo!” Em outras palavras:

Em Jesus nosso Senhor, Deus nos visitou, visitou a humanidade!

Em Jesus nosso Senhor, Deus nos dirigiu a Sua Palavra, ofereceu-nos a salvação que o Filho amado conquistou no tremendo combate da Cruz!

Em Jesus nosso Senhor, ressuscitado dentre os mortos, Deus nos oferece a possibilidade de entrar numa Vida nova, a Vida do Cristo, que é o próprio Espírito Santo, já neste mundo e, após a morte, por toda a eternidade!

Mas, para isto, é indispensável, é imprescindível, a conversão: a abertura do coração à Palavra e ao Juízo do Senhor sobre a nossa vida! É indispensável, é imprescindível deixar que o Senhor verdadeiramente reine sobre nós, em todos os aspectos da nossa existência: amor, sentimento, sexualidade, vida familiar, relações sociais, divertimento, trabalho, opções políticas, vida econômica e financeira! Somente entraremos no Reino se deixarmos que o Reinado do Senhor entre em cada aspecto, em cada setor em cada fibra do nosso coração e da nossa vida! Sem isto, não há verdadeira conversão! Não nos iludamos: se o Reino não entrar em nós, nós não entraremos no Reino! Eis a verdade, sem maquiagem, nem “mas”, nem “porém”! O que passa disso, vem do Maligno!

 

Meus queridos Irmãos, se vivermos e testemunharmos o Senhor assim, se com a nossa vida, palavras e atitudes anunciarmos o Seu Reinado, tenhamos certeza não somente de que Ele estará sempre conosco, mesmo nas provações e apertos, mas, acima de tudo, estejamos seguros de que os nossos nomes estão escritos no céu!

Que o Senhor nos dê esta fé, que o Senhor nos dê esta coragem, que o Senhor nos torne dignos de sermos trabalhadores da Sua messe, que o Senhor nos dê a graça da Vida eterna! Amém.

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