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Ecl 1,2. 2,21-23
Sl 89
Cl 3,1-5.9-11
Lc 12,13-21

Em que consiste a vida do ser humano? O que faz realmente, de modo definitivo, uma existência humana valer a pena? Como o homem pode, de verdade, ganhar a vida? – Eis algumas perguntas seríssimas para quem deseja viver de verdade e não fazer da existência um tempo perdido e uma paixão inútil.

O Senhor Jesus nos adverte: “A vida do homem não consiste na abundância de bens!”Esta frase recorda-nos uma outra: “Não só de pão vive o homem!” (Lc 4,4). Ao contrário do que o mundo nos quer colocar na cabeça e no coração, não se pode medir o valor de uma vida pelos bens materiais ou pelo sucesso de alguém.

Todos temos um desejo enorme de encontrar um porto seguro para nossa existência. Buscamos segurança: segurança econômica, segurança quanto à saúde, segurança afetiva, segurança profissional, sempre segurança. O problema é que nesta vida e neste mundo nada é seguro e toda segurança não passa de uma ilusão, que cedo ou tarde desaba. O Eclesiastes é de um realismo cortante: Vaidade das vaidades, tudo é vaidade”. – Em outras palavras: pó dos pós, tudo é pó; inconsistência das inconsistências, tudo é inconsistência, tudo passa, tudo é transitório e fugaz... E o Salmista hoje faz coro a essa tremenda realidade: “Vós fazeis voltar ao pó todo mortal, quando dizeis: ‘Voltai ao pó, filhos de Adão!’ Pois mil anos para Vós são como ontem, qual vigília de uma noite que passou. Eles passam como o sono da manhã, são iguais à erva verde pelos campos. De manhã ela floresce vicejante, mas à tarde é cortada e logo seca”.
O Autor do Eclesiastes coloca a questão tão dramática: será que tudo quanto construímos, será que nossos amores e sonhos, será que tudo isso caminha para o nada? “Toda a sua vida é sofrimento, sua ocupação, um tormento. Nem mesmo de noite repousa o seu coração!” São palavras duríssimas e, à primeira vista, de um pessimismo sem remédio. Mas, não é assim: o Autor sagrado nos quer acordar do marasmo, nos quer fazer compreender que não podemos enterrar a cabeça e o coração no simples dia-a-dia, sem cuidar do sentido que estamos dando à nossa existência como um todo!

Então, onde apostar nossa vida, para que ela realmente tenha um sentido? Como fugir da angústia de uma vida que vai passando depressa como a lançadeira no tear - para usar uma imagem da Escritura (cf. Jo 7,6)? É interessante observar como hoje se procura fazer a vida valer a pena... Preocupação com a estética, com a saúde, com a satisfação dos desejos... Preocupação em ser vip na sociedade, em ter prestígio e poder, em se esbaldar no divertimento, nos esportes, nos eventos, no turismo... Pois bem, a Palavra de Deus nos adverte de modo seco e solene: tudo passa, tudo é vaidade; não consiste nisto a vida de uma pessoa! Com tudo isso, podemos ser infelizes; com tudo isso, podemos danar para sempre nossa única existência!

Então, em que consiste a vida? Que caminho seguir para repousar nosso coração naquilo que não passa? Como usar as coisas que passam de modo a abraçar as que não passam?
Os cristãos têm uma resposta, que para o mundo é incompreensível. Escutemos o Apóstolo: Se ressuscitastes com Cristo, esforçai-vos por alcançar as coisas do Alto, onde está Cristo, sentado à direita de Deus; aspirai às coisas celestes e não às coisas terrestres. Pois vós morrestes, e a vossa vida está escondida com Cristo em Deus”.
Palavras fortes; palavras que o mundo não poderá nunca compreender! Para o cristão, a Vida não se encontra em migalhas desta vida, mas em Cristo: Ele é a Vida verdadeira! Ele, que morreu e ressuscitou, Ele que Se encontra à direita do Pai, Ele que nos disse: “Eu sou a Vida” (Jo 14,6). Nós cremos que tudo quanto vivamos com Ele e de modo coerente com o Seu Evangelho, é Vida e nos faz felizes, livres e maduros. Cremos que viver de verdade a vida é apostar Nele a existência, pois somente Nele, no Cristo Senhor, está a Vida verdadeira, a Vida divina, que dura por toda a Eternidade. Cremos que viver é viver como Ele viveu, “andar como Ele andou” (1Jo 2,6).
Ora, como foi a vida do Cristo? Foi total doação ao Pai e aos outros, por amor do Pai. Total despojamento, numa total liberdade – foi assim que o Cristo passou entre nós. Enquanto o homem tolo da parábola do Evangelho hoje proclamado, juntou tesouros para si mesmo, sendo rico para si, preso em si mesmo, Cristo nosso Senhor foi totalmente rico para o Pai, deixando que Deus o Pai fosse tudo na Sua existência e, assim, tornou-Se rico para os demais, para os homens, para todos os que se encontraram com Ele pelos caminhos do mundo. Pois bem, é nisto que consiste a Vida verdadeira; é nisto que consiste o que Jesus, nosso Senhor, chama no Evangelho de ser “rico diante de Deus” e não ajuntar tesouros para si apenas.

Pensemos bem: num mundo que já não mais sabe olhar para o Alto, num mundo que desaprendeu a ouvir Aquele que tem a Palavra de Vida eterna, não é fácil viver este caminho de Jesus Cristo, não é fácil dizer como o Salmista: “Eu levanto os meus olhos a Ti, que habitas no Céu!” (Sl 122/123,1) E, no entanto, esta é a condição para ser cristão de verdade e para encontrar a verdadeira Vida, aquela que é semente de Eternidade, que dura para a Vida eterna. Nunca esqueçamos, caríssimos, da advertência seríssima do nosso Salvador: “A vida do homem não consiste na abundância de bens”, materiais ou imateriais! Dito de modo direto: seus bens não são sua vida, seu dinheiro não é sua vida, sua família não é sua vida, sua saúde, seus dotes e talentos não são sua vida, sua fama, seus amigos, seu prestígio, nada disto é sua vida!
Não queiramos, portanto, reduzir o Evangelho ao tamanho da nossa mediocridade; tenhamos a coragem de dilatar nosso coração, de ampliar nossos horizontes à medida do apelo do Cristo Jesus e de viver a vida de criaturas novas, ressuscitadas para uma Vida nova, numa existência que, já agora, tenha gosto de Eternidade! Que o Senhor nos conceda esta graça, Ele que é bendito pelos séculos dos séculos. Amém. 

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