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Sl 33
2Tm 4,6-8.16-18
Lc 18,9-14


Certamente, como no Domingo passado, caríssimos Irmãos, a Palavra do Senhor que a Igreja nos faz ouvir nesta santíssima Eucaristia trata ainda da oração; e da oração humilde, aquela que no dizer do Eclesiástico, “atravessa as nuvens e enquanto não chegar não terá repouso; e não descansará até que o Altíssimo intervenha”.
Vede, irmãos, que aqui, como há oito dias, ainda se fala da súplica, ainda se fala da perseverança, da teimosia em pedir e pedir e continuar pedindo sem repouso, até que o Altíssimo intervenha, como interveio para justificar o pobre e humilde publicano do Evangelho que escutamos e para salvar o Apóstolo de todo mal.

Mas, permiti que vos mostre um outro tema, anterior ao da oração, fundamento de toda oração, que também aparece hoje.
Ouvistes o Eclesiástico? Que diz? Afirma que o Senhor não discrimina ninguém, que não é parcial nos Seus juízos, que escuta a oração do oprimido, que nunca despreza o pobre e o órfão, que acolhe a prece do humilde... Afirmações comoventes!
Mas, atenção: é isto que vemos ao nosso redor? Ah, quanta dor não sarada, quanta lágrima não estancada, quanta tristeza não consolada, quanta morte não redimida! E o publicano, que o Senhor Jesus garantiu que voltou para casa justificado? Quem viu a justificação? Viu-se a empáfia do fariseu orgulhoso, viu-se a humilhação do publicano... Mas, a justificação, quem a viu? E o Apóstolo, na Epístola que escutamos? Combateu perseverante o bom combate, completou fiel a corrida, guardou firme a fé. E o que ganhou? O abandono dos irmãos mais próximos, a solidão na hora de comparecer ao tribunal e a certeza de que seria condenado à morte! É verdade que ele, esperançoso e fiel, garante: “O Senhor me libertará de todo mal e me levará para o Seu Reino celeste”. Mas, quem viu? Viu-se o abandono no tribunal, viu-se o sofrimento, viu-se a condenação e a decapitação... Mas, ninguém viu a entrada no Reino celeste...

Não vos escandalizeis, irmãos! Não vos digo isto para incitar-vos à descrença ou à rebelião contra o Senhor Deus! Apenas desejo chamar-vos a atenção para algo profundo que aparece nas leituras de hoje: a necessidade absoluta da fé para caminhar com Deus! Eis o tema que desejo colocar no vosso coração!

Diz a Escritura Sagrada que “a fé é a certeza daquilo que ainda se espera, a demonstração de realidades que não se veem” (Hb 11,1). Diz também que “por ela – pela fé – os antigos receberam um bom testemunho de Deus” (Hb 11,2). Eis, meus irmãos, o que gostaria que gravásseis hoje no coração: é impossível agradar a Deus, caminhar com Deus, ser humilde realmente diante do Senhor Deus sem a fé! Digo isto porque muitas vezes não vemos na prática, no dia a dia, aquilo que nos foi prometido; muitas vezes parece que a realidade visível desmente miseravelmente a invisível realidade na qual cremos e em que esperamos! Atentos, irmãos, que crer é coisa séria, crer deve impregnar a nossa vida, formatar a nossa existência! Mas, crer não é compreender tudo, ter na palma da mão a explicação, ter tudo sob controle! Nada disso: crer é abandonar-se ao Senhor, Nele confiar totalmente, absolutamente, caminhando como se já víssemos o invisível e já possuíssemos em plenitude aquilo que ainda esperamos na penumbra e na certeza da fé! Só assim, como nossos antepassados, poderemos receber um bom testemunho de Deus, ser chamados de Seus amigos, como Abraão e receber a coroa da glória como prêmio.

Agora, dizei-me? Quem pode levar realmente a sério a palavra do Eclesiástico e, assim, teimar em continuar rezando, suplicando ao Eterno por justiça, perseverando no bem, humildemente entregando a Ele a sua causa? Responso: somente quem crê de verdade, quem de verdade arrisca a vida, a única vida que possui, apostando-a na Palavra do Senhor!

Quem ousaria de verdade ter certeza de que, por grande que seja a miséria humana – até a do ladrão publicano, que desprezou a Lei do Senhor – por grande que seja o meu pecado, o pecado dos outros, o pecado de um mundo tão afastado de Deus, Ele, o Senhor, é capaz de justificar, de perdoar, de renovar o transgressor arrependido que de verdade reconhece seu pecado e confessa sua culpa? Quem pode de verdade levar isso a sério e, assim, tomar o caminho de uma verdadeira e humilde conversão? Somente quem crê de verdade, quem verdadeiramente começa a olhar e sentir tudo com os olhos da fé, que são os olhos de Deus!

E ainda, quem pode perseverar na corrida para Cristo como o Apóstolo? Quem pode estar disposto a oferecer a vida em libação, isto é, em sacrifício até a morte violenta, esperando a Vida gloriosa após a morte? Quem pode, quem se dispõe, quem arrisca? Eu vos digo: somente quem de verdade crê, quem de fato, movido pela fé, ama!

Irmãos, o cristianismo não pode se resumir a palavras bonitas, a pensamentos belos, a boas intenções! O cristianismo funda-se na fé, que dá a certeza que Deus é Deus e enviou o Seu Filho; que Jesus assumiu nossos pecados, morrendo, destruiu nossa morte e, ressuscitando verdadeiramente, abriu-nos o caminho da Vida imperecível! Se realmente crermos nestas coisas, vale a pena sermos humildes, como o orante da primeira leitura, vale a pena entrarmos no caminho da conversão do publicano do Evangelho, vale a pena a fidelidade até a morte, que o Apóstolo testemunhou na Epístola!

- Senhor, Deus bendito! Nós cremos, mas, por misericórdia, aumenta a nossa fé, sustenta a nossa fé, faz-nos perseverantes na fé! Tantos dizem que és o Ausente, o Nada, o Omisso! Senhor, é tanta a tentação de nos vermos sozinhos na corrida da vida! Tantos gritam a Tua morte! Expulsam-Te de nossas leis, das decisões importantes, dos critérios que norteiam a vida da sociedade... A noite cai, faz frio! Fica conosco, revela-nos Tua presença bendita, aquece-nos com o dom de uma fé firme, inabalável, ó Deus bendito, Deus real, Deus concreto, Deus presente, Deus eternamente misterioso, Tu que és misteriosamente Pai e Filho e Espírito Santo, único. Deus verdadeiro, fora do Qual não há nem pode haver outro, que vives e reinas para sempre. Amém 

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