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Meditação XVI: Os anjos: ministros da nossa salvação | Retiro Quaresmal 2020

March 18, 2020

 

 

Reze o Salmo 119/118,121-128

Agora leia, meditando com o coração, Tb 5

 

1. Neste capítulo, aparece, mais uma vez, a providência do Senhor guiando os acontecimentos. O Senhor Deus envia o Arcanjo Rafael para cuidar da viagem do jovem Tobias. Também na nossa vida, segundo as Escrituras e a constante fé da Igreja, o Senhor nos dá um anjo que cuida de nós, de modo misterioso, mas bem concreto. É o sentido da doutrina sobre o anjo da guarda. A este respeito, leia Mt 18,10. É importante, logo agora, esclarecer que o Senhor Jesus Cristo afirmou a existência dos anjos e suas relações com os homens em vista da obra da salvação. Reze o Sl 138/137.

 

2. Vale a pena também retomar as belas palavras de Ana, mãe de Tobias, no v. 19! Leia-as! O dinheiro não é tudo na vida; o dinheiro não é o mais importante! As pessoas são muito mais valiosas que posses e bens materiais; os valores verdadeiros são muito mais necessários e importantes! Pense um pouco: vivemos num tipo de sociedade que despreza Deus, de modo a já não mais o perceber como Realidade viva e concreta na nossa existência, Aquele de Quem e para Quem somos e vivemos! Assim, a vida vai se restringindo ao imediato, ao papável, ao que satisfaz aqui e agora... O perigo enorme de uma vida assim é aquele da falta de um sentido global para a existência e a redução da felicidade à satisfação dos desejos, necessidades e impulsos, sobretudo no que toca aos bens materiais! Ora, o apego aos bens deste mundo e ao dinheiro é a pior de todas as escravidões: resseca o coração, tira a paz, infla a soberba e tende a fechar o coração para o Senhor Deus e para os demais. A tendência é que, pelo menos, instale-se no nosso coração a indiferença pela sorte dos outros. Leia Lc 12,13-21. Reze o Sl 73/72.

Aqui, vale a pena perguntar: Quais são os seus valores? Quais são as suas prioridades? Neste mundo, o que é mais importante para você? Recorde fatos e situações que comprovem suas respostas a estas questões...

 

3. Sem dúvida, o tema dominante deste capítulo é a presença do Arcanjo Rafael. Ele já havia aparecido em 3,16s, como enviado pelo Senhor para curar Tobit e Sara. Aqui, convém que meditemos um pouco sobre as afirmações da fé católica sobre os anjos. É o que pretendo fazer nos números seguintes.

 

4. Primeiro que tudo: as Escrituras Santas e a fé católica e apostólica afirmam de modo constante, variado e decidido a existência de seres espirituais, não materiais criados livremente por Deus nosso Senhor. 

A existência dos anjos pertence constitutivamente à mensagem cristã; em outras palavras: um católico que deseje realmente permanecer fiel à verdadeira doutrina católica não pode negar a existência desses seres a que chamamos genericamente de anjos. Se hoje em dia há, por parte de muitos, uma dificuldade em aceitar e compreender a doutrina sobre o mundo angélico, deve-se a que o homem contemporâneo encontra-se preso no empírico, naquilo que experimenta sensivelmente, entocado na imanência, isto é, neste mundo visível! A coisa é tão séria, tão devastadora, que até mesmo a piedade de muitos é reduzida ao racional, pior ainda, ao racionalístico! Aí, não há espaço para o sobrenatural, efetivamente falando, para a manifestação do Senhor! Ora, se é verdade que a razão é importante, é parte imprescindível do ser humano, também não é menos verdade que a mesma razão não esgota o humano nem abrange todo o real!

Pense um pouco: você reduz Deus e a Sua ação ao que você percebe e compreende? Você é aberto para reconhecer que “as coisas escondidas pertencem ao Senhor nosso Deus; as coisas reveladas, porém, pertencem a nós e aos nossos filhos para sempre, para que ponhamos em prática”? (Dt 29,28). Leia, rezando Eclo 42,19-25/26; 43,27/29-33/37.

 

5. Alguns contestam a afirmação da existência dos anjos dizendo que ninguém tem experiência deles, ninguém anda encontrando-os por aí. Este argumento não tem muito valor, pois a grande maioria das culturas sempre afirmou a existência de seres incorpóreos, intermediários entre o mundo divino e o mundo material; sempre houve relatos de experiência desses seres. Isto deveria ser um alerta para nós, um sinal de que se trata de algo real, mesmo se misteriosos... Foi a revelação bíblica que delimitou, esclareceu e colocou em relação com a existência de um Deus único e soberano e com o Seu plano de salvação esses seres misteriosos e sua ação no mundo. Assim, aquilo que era uma percepção comum e uma experiência generalizada, foi esclarecida e colocada em relação com a história da salvação.

Por isso mesmo, também não vale a argumentação que a crença na realidade dos anjos imigrou da Pérsia e da Mesopotâmia para as Sagradas Escrituras nem tampouco afirmar que é tardia uma crença no Antigo Testamento. Nada disto é critério de validação de uma doutrina! Se várias culturas ou religiões afirmam algo, não quer dizer que isto é errado ou falso, mas que se trata de uma realidade significativa. Ora, ao ser acolhida nas Escrituras, tal crença foi esclarecida, delimitada e purificada. Além do mais, o verdadeiro e único critério para ser acolhida nas Escrituras é, na Antiga Aliança, coadunar-se com a unicidade perfeita e absoluta do Deus vivo, Sua absoluta soberania sobre todas as coisas e Seu amor pelo Seu Povo e pela humanidade e, na Nova Aliança, referir-se ao Cristo como Senhor de tudo, através de Quem e para Quem tudo foi criado no Céu e na terra, tudo existe e tudo tem sua razão de ser e agir! Quanto ao argumento que a crença na existência dos anjos foi sendo sistematizada relativamente tarde no Antigo Testamento, é um argumento muito fraco, pois a Revelação, em todos os seus aspectos, foi se desenvolvendo aos poucos! Resumindo: negar de antemão a existência dos anjos não é cultura ou sabedoria, mas somente preconceito racionalístico privado de fundamento. No fundo, termina-se negando também a presença e ação efetiva de Deus no mundo e na nossa vida!

 

6. Escutando as Escrituras Santas, damo-nos conta da afirmação inicial do Livro do Gênesis, na qual o mundo angélico já está implicitamente afirmado: “No princípio Deus criou o Céu e a terra” (1,1), em outras palavras, criou tudo, um mundo visível e invisível. Como diz a Igreja no seu símbolo niceno-constantinopolitano: “Creio em um só Deus Pai todo-poderoso, criador do Céu e da terra, de todas as coisas visíveis e invisíveis”. Aqui é importante compreender que o Céu não é o próprio Deus. O “Céu” é, como o homem e todas as coisas visíveis, obra das mãos de Deus (cf. Sl 102/101,26), é criação feita pela Palavra do Senhor e o Sopro da Sua boca (cf. Sl 33/32,6). O “Céu” também não deve ser confundido com o firmamento, onde estão os astros. Na mentalidade bíblica, o “Céu” criado por Deus, é o mundo das “realidades celestes” (cf. Zc 14,5; Sl 30/29,1), dos espíritos sobre os quais o Senhor Deus exercita Sua soberania (cf. Ap 5,11-14.) De modo geral, esses seres pertencentes ao mundo invisível, seres pessoais, livres, radicalmente bons, como os homens, criados pelo amor divino para amar e servir ao Senhor (cf. Gn 1,31; Ap 19,10), são chamados de anjos, isto é, mensageiros. Trata-se de seres incorpóreos, potentes e fortes, mas também limitados, como todas as criaturas, e que pertencem a este mundo criado, ainda que invisível e numa proximidade de Deus muito superior à nossa.

Os anjos, em si, não podem ser descritos como seres humanos superiores. O que podemos dizer deles deve-se restringir ao que a Escritura Santa ensina, colocando-os sempre no plano do Senhor Deus que tudo criou através de Cristo e para Cristo, levando tudo à salvação. Os anjos não atuam de modo autônomo e caprichoso no mundo, mas sempre dentro do desígnio salvífico do Pai, pelo Filho no Espírito, como seres limitados que são. Ainda que sendo incorpóreos, pertencem ao mundo criado: são criados por Deus, finitos, conscientes de si próprios, livres e pessoais; não podem tudo e interagem misteriosamente conosco, dentro dos limites desejados e permitidos por Deus na Sua santa providência e sabedoria.

 

7. Sabemos também com toda certeza de fé que esses seres foram criados em relação com Cristo, como tudo quanto existe. Leia com atenção Cl 1,13-20. Observe que aí se fala do Cristo morto e ressuscitado. Antes da criação do mundo, o Pai, que tudo conhece no Seu “hoje” eterno, criou tudo através do Cristo e para o Cristo, sejam os seres visíveis que os invisíveis.

Mais ainda: criou tudo através do Cristo que, desde antes da criação do mundo, é “Cabeça da Igreja, que é Seu Corpo”! Assim, desde toda a eternidade, os anjos pertencem a Cristo (cf. Mt 25,31; Cl 2,10); devem servi-Lo e adorá-Lo. Leia Hb 1,6.

Porque desde o princípio foram criados (Jó 38,7) através de Cristo e para Cristo, os anjos estão sempre e em tudo a serviço da nossa salvação, como uma belíssima expressão da amorosa providência do Senhor em relação a nós. Leia Hb 1,14. Pense bem o quanto isto é impressionante! Veja alguns textos bíblicos, como exemplos que ilustram a presença dos anjos em favor do plano de Deus a respeito da nossa salvação: Gn 3,24; 19; 21,17; 22,11; Ex 23,20-23; Jz 13; 6,11-24; Is 6,6; 1Rs 19,5; Lc 1,11.26; At 7,53.

 

8. Sendo seres criados, pessoais, inteligentes e livres, os anjos, desde o princípio, se realizam ou se danam eternamente de acordo com sua atitude em relação ao Cristo, Senhor deles e nosso. Como para nós, o julgamento dos anjos, dá-se no Cristo, o Filho feito homem. Todos os anjos devem adorá-Lo (cf. Hb 1,6): para isto foram criados, para isto existem, nisto está sua plenitude (cf. Fl 2,10s)! Aos anjos que disseram “não” ao plano salvífico do Senhor Deus em Cristo, são chamamos demônios, capitaneados por um anjo maior, mais ilustre, que a Tradição inteira convencionou chamar de Lúcifer. Ele é o Diabo (isto é, o que divide, o que quebra, que parte, que violenta destruindo a unidade e harmonia) ou Satanás (isto é, o acusador, o que põe a perder). Então, o nome próprio “Lúcifer” e os substantivos “Diabo”, “Satanás”, devem ser sempre usadas no singular. Os anjos decaídos na pecaminosa rebeldia contra o Senhor são chamados demônios. Todos estes anjos pervertidos, ainda que tenham o poder próprio de sua natureza angélica criada, estão sob o domínio do Cristo nosso Deus e por Ele foram derrotados graças à Sua santa Paixão, Morte e Ressurreição. Leia Cl 2,13-15: Cristo despojou todos esses seres invisíveis, espirituais que eram hostis ao Seu plano de salvação! Ele é o mais forte que amarra o forte (cf. Lc 11,20-22; Hb 2,14-16).

Observe uma coisa importante: chamamos de anjos, de modo geral, a todos esses seres incorpóreos e inteligentes. As Escrituras falam em vários tipos de seres inteligentes e incorpóreos (cf. Ef 1,21), todos criados pelo Pai através do Filho na potência do Espírito. A tradição teológica da Igreja deu várias classificações a esses seres. Basta tomar, como exemplo, a classificação de São Tomás de Aquino: 1) Serafins, 2) Querubins, 3) Tronos, 4) Dominações, 5) Virtudes, 6) Potestades, 7) Principados, 8) Arcanjos, 9) Anjos. São classificações aleatórias, que não devem nos ocupar muito... A verdade é que não sabemos praticamente nada sobre os anjos além do pouco que a Escritura nos revelou. E é o bastante! É necessário muito cuidado para não cair numa angelologia pagã, que não tem nada de cristã, desvinculada do santo mistério da salvação trazida por Jesus Cristo nosso Senhor, com especulações inúteis e inconvenientes! Leia a advertência de Cl 2,18.

 

9. Além da presença dos anjos em toda a Sagrada Escritura, é importante o fato da presença angélica e demoníaca no ministério do nosso Salvador Jesus Cristo. Só isto já bastaria de sobra para levarmos a sério a doutrina cristã sobre os anjos bons e seus contrapontos, os demônios. Ora, desde o momento solene da Sua Encarnação até a Sua Ascensão, faz-se presente no caminho do Salvador neste mundo o ministério dos anjos. Aqui, podemos seguir integralmente o Catecismo da Igreja Católica, no seu número 333: “Da Encarnação à Ascensão, a vida do Verbo Encarnado é cercada da adoração e serviço dos anjos. Quando Deus ‘introduziu no mundo o Seu Primogênito, disse: Adorem-No todos os anjos de Deus’ (Hb 1,6). O seu cântico de louvor, quando do Nascimento de Cristo, nunca deixou de se ouvir no louvor da Igreja: ‘Glória a Deus’ (Lc 2,14). Eles protegem a infância de Jesus (cf. Mt 1,20; 2,13.19), servem-No no deserto (cf. Mc 1,13; Mt 4,11) e confortam-No na agonia (cf. Lc 22,43) no momento em que por eles poderia ter sido salvo das mãos dos inimigos (cf. Mt 26,53) como outrora Israel (cf. 2Mc 10,29-30; 11,18). São ainda os anjos que ‘evangelizam’ (cf. Lc 2,10), anunciando a Boa-Nova da Encarnação (cf. Lc 2,8-14) e da Ressurreição (cf. Mc 16,5-7) de Cristo. E estarão presentes quando da segunda Vinda de Cristo, que anunciaram (cf. At 1,10-11), ao serviço do Juízo que o próprio Cristo pronunciará (Mt 13,41; 25,31; Lc 12,8s).

No polo oposto deste serviço angélico ao Cristo Senhor em benefício da humanidade com finalidade à plena manifestação do Reino de Deus, aparece a ação maléfica de Satanás e seus demônios. Mas, o Filho de Deus, nosso Senhor, veio para destruir as obras e o poderio de Satanás e seus anjos decaídos. Leia 1Jo 1,39.

 

10. Também a Igreja, Corpo de Cristo e continuadora da Sua obra salvífica, experimenta a presença dos anjos. Leia, como exemplo, At 5,18-20; 8,26-29; 10,3-8; 12,6-11; 27,23-25. Por isso mesmo, a liturgia refere-se abundantemente à presença angélica no culto que o Povo fiel presta ao Deus uno e trino. Além da Igreja como um todo, cada fiel de Cristo é e cercado pela proteção e intercessão dos anjos e, de modo especial, do Anjo da Guarda, bom e protetor, que conduz e acompanha cada pessoa. Leia Jó 33,23-24; Sl 34/33,8; 91.90,10-13; Zc 1,12; Tb 12,12; Mt 18,10; Lc 16,22.

 

11. Para terminar, una-se à oração da Igreja, rezando as seguintes orações litúrgicas, expressão viva da consciência de fé do Povo santo de Deus:

 

a) O Prefácio dos Santos Anjos, da nossa Liturgia latina:

“Na verdade, é justo e necessário, é nosso dever e salvação dar-Vos graças, sempre e em toda a parte, e não cessar de engrandecer-Vos, Senhor, Pai santo, Deus eterno e todo-poderoso. É a Vós que glorificamos, ao louvarmos os anjos, que criastes e que foram dignos do Vosso amor. A admiração que eles merecem nos mostra como sois grande e como deveis ser amado acima de todas as criaturas. Pelo Cristo, Vosso Filho e Senhor nosso, louvam os anjos a Vossa glória, as dominações Vos adoram e, reverentes, Vos servem potestades e virtudes. Concedei-nos também a nós associar-nos à multidão dos querubins e serafins, dizendo a uma só voz: Santo, Santo, Santo, Senhor, Deus do universo! O Céu e a terra proclamam a Vossa glória. Hosana nas alturas! Bendito O que vem em nome do Senhor! Hosana nas alturas!”

 

b) O Hino dos Querubins, da Liturgia bizantina:

“Ninguém que seja escravo de desejos e paixões carnais é digno de apresentar-se ou de aproximar-se ou de oferecer sacrifícios a Ti, Rei da glória, porque servir a Ti é algo grande e tremendo mesmo para as próprias Potestades celestes.

Todavia, pelo Teu inefável e imenso amor pelos homens, Te fizeste homem sem nenhuma mudança e foste constituído nosso Sumo Sacerdote e, como Senhor do universo, nos confiaste o ministério deste litúrgico e incruento Sacrifício.

Com efeito, só Tu, ó Senhor nosso Deus, imperas soberano sobre as criaturas celestes e terrestres, Tu que estás sentado sobre um trono de Querubins, Tu que és Senhor dos Serafins e Rei de Israel, Tu que és o Único santo e habitas no meio dos santos.

Eu Te suplico, pois, a Ti que és o Único bem e pronto a atender: volta o Teu olhar para mim pecador e inútil servo Teu, e purifica a minha alma e o meu coração de uma consciência má; e, pelo poder do Teu Santo Espírito, faze que eu, revestido da graça do sacerdócio, possa estar diante desta Tua sagrada Mesa e consagrar o Teu Corpo santo e imaculado e o Teu Sangue precioso.

De Ti me aproximo, inclino a cabeça e Te peço: não afastes de mim o Teu Rosto e não me excluas do número dos Teus servos, mas concede que eu, pecador e indigno servo Teu, Te ofereça estes dons.

Na verdade, ó Cristo nosso Deus, és o Oferente e o Oferecido, és Aquele que recebe os dons e que em dom Te dás, e nós Te rendemos glória junto com o Teu Pai sem princípio e o santíssimo, bom e vivificante Teu Espírito, agora e sempre, e nos séculos dos séculos. Amém.”

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