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1Sm 16,1b.6-7.10-13a

Sl 22

Ef 5,8-14

Jo 9,1-41

 

O Evangelho de hoje é mais uma belíssima catequese batismal que nos prepara para a santa Páscoa. Não esqueçamos que em muitas paróquias adultos estão terminando seus preparativos para o Batismo. Ao menos deveriam estar, não fosse esta dura prova do coronavírus, um verdadeiro teste para a nossa fé, para a nossa confiança no Senhor e para o exercício da nossa responsabilidade pela saúde própria e a dos demais. Para estes tempos: oração e confiança no Senhor, entrega em Suas mãos e, ao mesmo tempo, obediência às orientações daqueles a quem o Senhor concedeu o dom de estudar e desenvolver ações em prol da saúde de todos! Ai daqueles que, em Nome do Senhor, desprezam os que do Senhor receberam competência para nos orientar quanto à saúde neste momento!

 

Voltemos ao nosso tema! No Domingo passado, no Evangelho da Samaritana, vimos que Jesus é o Messias que dá a verdadeira água do Espírito Santo, água que jorra para a Vida eterna.

 

Neste hoje, “ao passar, Jesus viu um homem cego de nascença”. Esse homem simboliza os judeus; pode simbolizar também a humanidade toda: enquanto não somos dados à luz no Batismo, somos cegos, nascemos cegos, “por natureza, filhos da ira” (Ef 2,3)! Nunca esqueçamos que cristãos nos tornamos pela fé e o Batismo! Ninguém nasce cristão!

Os discípulos, apegados a uma crença popular antiga, tão combatida por Jeremias (cf. 31,29s) e Ezequiel (cf. 18,1-32), pensavam que o cego estava pagando pelos pecados seus ou dos seus antepassados. É a uma crença errada, semelhante à superstição da reencarnação: “Quem pecou para que nascesse cego: ele ou seus pais?” Não há resposta, não há explicação! Os segredos da vida pertencem a Deus! Se crermos no Seu amor, se nos abandonarmos nas Suas mãos, a maior dor, o mais inexplicável sofrimento pode ser confortado pela certeza de que Deus está conosco e nos fortalece: “Nem ele nem seus pais pecaram: isso serve para que as obras de Deus se manifestem nele!” Até na dor e no sofrimento Deus está presente quando somos abertos à sua presença. Pena que nosso mundo superficial e incrédulo não compreenda isso... Se se abrisse para Jesus, o Inocente crucificado e morto... Na Sua luz, contemplamos a luz da Vida: “Enquanto estou no mundo, Eu sou a Luz do mundo!” Mas, o nosso mundo se fecha na sua racionalidade cega e orgulhosa... Eis, agora, este momento de crise mundial: um belo momento para dobrar os joelhos, para olhar para os Céus, para implorar a misericórdia e o socorro divino! O que o Senhor nos está dizendo com esta tremenda pandemia? Será que conseguimos discernir os sinais dos tempos?

 

Jesus, cospe no chão e faz lama. A saliva, para os judeus, continha o espírito; simboliza, então, como a água, o dom do Espírito Santo do Cristo Senhor. Ao colocar a lama de Sua saliva infundida no barro, Jesus como que repete o gesto do Senhor Deus no Gênesis, criando o homem do pó da terra e insuflando em suas narinas o Sopro da vida! Depois, Jesus ordena: “Vai lavar-te na piscina de Siloé!” É a piscina do Enviado de Deus, do Messias, imagem da piscina do nosso Batismo, na qual somos iluminados pelo Senhor que é Luz do mundo! Por isso o homem vai e retorna vendo.

Eis o que é o cristão, o discípulo de Cristo: aquele que era cego, foi lavado na piscina batismal e voltou vendo. Porque ele vê, vê que Jesus é o Messias, os judeus o expulsam da sinagoga, como o mundo também nos expulsa de sua amizade a apreço! Não somos do mundo, como o Senhor nosso não é do mundo; Ele nos separou do mundo! Agora, curado da cegueira, aquele que foi iluminado pode ver Jesus; ver com a fé, ver a realidade mais profunda, ver que Ele é o Senhor, Filho de Deus: “’Acreditas no Filho do Homem?’ ‘Quem é, Senhor para que eu creia Nele?’ Jesus disse: ‘Tu O estás vendo; é Aquele que está falando contigo!’” Para isso te curei, para isso fiz-te enxergar! “’Eu creio, Senhor!’ E prostrou-se diante de Jesus!”

 

Também nós, fomos iluminados pelo Cristo no Batismo. Na Igreja Antiga, um dos nomes do sacramento batismal era “photismós”, iluminação, porque, renascidos em Cristo, os cristãos, curados da cegueira do pecado e da morte, passam a ver a Luz verdadeira! Para nós valem as palavras de São Paulo: “Outrora éreis treva, mas agora sois luz no Senhor! Vivei como filhos da Luz! Não vos associeis às obras das trevas!”

Eis, caros irmãos: iluminados por Cristo não podemos pensar como o mundo, sentir como o mundo, agir como o mundo! Devemos viver na Luz e ser luz para o mundo!

Mas, não é fácil; não basta querer! Sem a graça do Senhor, nada conseguiremos, a não ser sermos infiéis! Por isso, a necessidade dos exercícios quaresmais; por isso a oração, a penitência e a  caridade fraterna, por isso a necessidade da confissão de nossos pecados! Não nos esqueçamos: não poderemos zombar de Cristo: seremos julgados na Sua Luz: “Eu vim a este mundo para exercer um julgamento, a fim de que os que não veem vejam e os que veem se tornem cegos!” – Eu vim para revelar a Luz aos humildes, aos que se abrem à Minha Palavra e à Minha Presença, e vim revelar a cegueira do mundo confiado na sua própria razão, na prepotência de seus próprios caminhos! Porque este mundo diz que vê, que sabe, que está certo, seu pecado permanece! – Somente se abrir-se para a Luz do Cristo, caminhará na luz e enxergará de verdade!

 

E nós, caminhamos na Luz ou permanecemos nas trevas? Que o Senhor ilumine a nossa vida e nos faça, na Sua Luz, vermos a Luz. Amém!

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