Please reload

Posts Recentes

Is 53,10-11

Sl 32

Hb 4,14-16

Mc 10,35-45

Comecemos observando o Evangelho.

Notemos como os dois irmãos, Tiago e João, se dirigem a Jesus: “Queremos que faç...

Homilia para o XXIX Domingo Comum - Ano B

October 23, 2018

1/2
Please reload

Posts Em Destaque

Meditação XXIII: Abençoados no Senhor Jesus Cristo

March 22, 2020

 

 

Reze o Salmo 119/118,1-8

Como lectio divina, tome ainda Tb 8-9. Depois, vá até o capítulo 10.

 

1. Antes de continuarmos com este capítulo 8 e seguirmos adiante, é preciso que voltemos ainda um pouco ao capítulo 7 para duas observações importantes.

 

a) Veja os vv. 11-13: três vezes está dito que o matrimônio de Tobias e Sara será regido “segundo a sentença da Lei de Moisés”. Moisés é o Legislador do Povo de Israel e a Torá, a Lei, é o critério último de todos os aspectos da vida do Povo do Antigo Testamento. Mas, como diz o Evangelho de João, “a Lei foi dada por meio de Moisés; a graça e a verdade vieram por Jesus Cristo” (v. 17). Qual é, portanto, o critério último da vida do cristão? Qual é a sua norma? Qual a sua lei? É Cristo Jesus! Leia Lc 16,16s. Em Jesus nosso Senhor, a Lei foi cumprida; alcançou seu objetivo, cada vírgula foi cumprida. Agora, com Cristo, a Lei passou! Assim, o matrimônio entre dois cristãos não é segundo o mundo, não é simplesmente segundo a lei civil de cada país, não é segundo o Antigo Testamento, quando não se tinha a ideia de sacramento e o divórcio era permitido. O matrimônio cristão é um sacramento: sacramento do amor entre o Cristo-Esposo e a Igreja-Esposa (cf. Ef 5,32), e os cristãos casam-se “no Senhor” (cf. 1Cor 7,39). É por isso que o matrimônio cristão deve sempre ter as mesmas propriedades da aliança de amor conjugal entre Cristo e a Igreja: a fidelidade, a fecundidade e a indissolubilidade. Já falei sobre isto numa meditação mais acima (cf. Meditação XX: Um amor forte como a morte).

Compreende você que a estrutura do matrimônio e a sua finalidade e propriedades não podem ser alteradas pelo homem e nem mesmo pelos cônjuges? Compreende que o matrimônio e a família são realidades queridas por Deus, estruturadas por Deus e santificadas e elevadas em Cristo à sublime dignidade de sacramento? Pense nisto! Reze pela sua família; reze pelas famílias cristãs, para que tenham consciência de tão grande realidade. Peça, interceda, suplique pelos jovens cristãos, para que vivam o namoro, o noivado e o matrimônio com esta consciência!

 

b) Em Tb 7,12, Raguel, o pai de Sara, realiza o matrimônio entre os jovens, dando-lhes a bênção. Na tradução da Vulgata, a Bíblia latina oficial da Igreja, o texto é mais extenso: “Pegando a mão direita de sua filha, pôs na mão direita de Tobias, dizendo: ‘O Deus de Abraão, o Deus de Isaac e o Deus de Jacó esteja convosco! Que Ele mesmo vos una e vos cumule com a Sua bênção!’” (Tb 7,15 da Vulgata). Esta bênção inspirou a liturgia da Igreja numa de suas bênçãos matrimoniais: “O Deus de Abraão, o Deus de Isaac, o Deus de Jacó, o Deus que abençoou os nossos primeiros pais no Paraíso, confirme e abençoe em Cristo este compromisso que manifestastes perante a Igreja. Ninguém separe o que Deus uniu”.

Deixo para você também esta bênção que o ministro sagrado dá aos esposos: “Pai santo, criador do universo, Vós fizestes o homem e mulher à Vossa imagem, e quisestes cobrir de bênçãos a sua união. Nós vos pedimos por estes Vossos servos, que hoje se unem pelo sacramento do Matrimônio. Desçam as Vossas copiosas bênçãos sobre esta esposa e sobre o seu companheiro de vida. Que a força do Vosso Espírito inflame, do Alto, os seus corações. Assim, encontrando a felicidade no amor conjugal, adornem de filhos o seu lar, enriqueçam a Igreja com novos membros e sirvam a todos de exemplo. Na alegria Vos louvem e, na tristeza, Vos procurem, sintam em seus trabalhos, Vossa assistência, e nas aflições, Vosso consolo. Que eles celebrem com seus irmãos a sagrada Liturgia e deem ao mundo o testemunho do Vosso amor. Enfim, após uma vida longa e feliz, depois de terem visto os filhos dos seus filhos, possam, com os amigos que os cercam, chegar ao Reino do Céus. Por Cristo, nosso Senhor”.

 

2. Agora, feitas as duas observações quanto ao capítulo 7, vamos adiante. Este capítulo 8 tem algo de tragicômico: o velho Raguel, precavido, manda logo cavar o túmulo para Tobias e, quando constata que o genro não morreu, manda fechá-lo imediatamente (vv. 10/11s.18/20). Raguel está longe daquela fé madura, sofrida e serena de Abraão... Também nós, muitas vezes, somos como este Raguel ou como Jacó, que, em Betel, colocou tantas condições para crer, para dizer “o Senhor será o meu Deus”. Leia Gn 28,20-22. Quantos “se”... E você: crê com um coração de criança? Crê abandonando-se verdadeiramente ao Senhor, com um coração de pobre? Vale a pena ler e rezar Hb 11. Quando não cremos com fé serena, profunda e madura, sentimo-nos como joguetes nas mãos de um destino cego e absurdo; então, sentimos solidão, impotência e pavor... Quem crê verdadeiramente, encontra no Senhor a sua força e a sua esperança. Leia Eclo 2,6-18/22.

 

3. Leia a oração de Raguel com o coração grato ao Senhor, que é providente e fiel (cf. vv. 15-17/17-19). Depois de constatar a graça providente do Senhor, ele bendiz a Deus! Observe como a bênção é a oração central dos judeus: “Bendito és, ó Deus! Bendito sejas, Senhor nosso Deus”. Compare com Tb 3,11; 8,5/7; 11,14/17; 13,1; 14,15. Na tradição judaica, bendizer e agradecer são inseparáveis. A maior ação do homem é bendizer a Deus, isto é, “dizer bem” Dele pelos Seus benefícios. É este o sentido da bênção! “Bem-dizer” (dizer bem) é o mesmo que abençoar, é dizer “bendito sejas!”, reconhecendo a bondade do Altíssimo. O Senhor nos abençoou primeiro: no princípio (cf. Gn 1,28; 2,3), no recomeço da humanidade (cf. Gn 9,1), no início do Povo de Israel (cf. Gn 12,2s) e nós O abençoamos como ação de graças, como agradecimento jubiloso e confiante pela benção que Ele nos concede.

Agora pense: qual a bênção por excelência que o Senhor Deus nos concedeu? Foi dar-nos Jesus Cristo e, através Dele, todo bem e toda graça. Leia Ef 1,3b-14. Observe bem e você verá que, misteriosamente, o Senhor Deus abençoou não somente os tempos da Nova Aliança, mas, desde “antes da fundação do mundo”, toda bênção vem pelo Cristo nosso Senhor! Com a Igreja diz ao Pai, na Liturgia, referindo-se ao Filho glorificado: “por Ele dais ao mundo todo bem e toda graça”. Ora, qual a nossa resposta a tamanha bênção, que tudo recobre? Qual a nossa atitude? Abençoar ao “Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo”, com toda ação de graças (em grego se diz “eucaristia”). Leia Ef 1,3. A bênção por excelência, a ação de graças por excelência de Deus para nós e de nós para Deus é o Sacrifício eucarístico. Leia 1Cor 10,16s: o pão e o vinho, na Eucaristia, são transformados em bênção, em ação de graças ao Senhor por Cristo, com Cristo e em Cristo, ao Pai no Espírito Santo. Foi o que a Igreja aprendeu do seu Senhor. Leia 1Cor 11,23-27.

 

4. Reze com a Igreja: “Na verdade, Vós sois santo, ó Deus do universo, e tudo que criastes proclama o Vosso louvor, porque, por Jesus Cristo, Vosso Filho e Senhor nosso, dais vida e santidade a todas as coisas e não cessais de reunir o Vosso Povo, para que Vos ofereça em toda parte, do nascer ao pôr do sol, um Sacrifício perfeito. Por isso, nós Vos suplicamos: derramai o Vosso Espírito Santo sobre as oferendas que Vos apresentamos para serem consagradas, a fim de que se tornem o Corpo e o Sangue de Jesus Cristo, Vosso Filho e Senhor nosso, que nos mandou celebrar este Mistério: estando para ser entregue, Ele tomou o pão, deu graças e o partiu... Do mesmo modo, ao fim da Ceia, Ele tomou o cálice, deu graças novamente e o deu aos Seus discípulos... Fazei isto em memória de Mim!”

 

5. Releia, agora, Tb 8,18-21/20-25. Como se celebra bênção do Senhor, a alegria, a vida, o matrimônio? Com um banquete farto, prolongado, sinal da alegria de Deus com os Seus servos e dos servos com o Altíssimo. Este banquete e todos os banquetes dos amigos de Deus preparam e recordam aquele Banquete que o Senhor Deus nos preparou no Seu Filho Jesus Cristo. Leia Is 25,6-9. Sentar-se à mesa do banquete, comer a mesma comida, alegrar-se com o mesmo vinho significa partilhar a mesma vida! Participar do Banquete que o Senhor Deus nos prepara é participar da Vida de Deus, Vida divina, Vida eterna! Leia Ap 19,6-9; Mt 22,1-14. Por isso, o Sacrifício eucarístico é em forma de banquete, o Banquete das núpcias do Cordeiro com a Igreja, humanidade redimida, o Banquete do Reino de Deus, pois ali, no Altar sagrado feito Mesa dos Céus, o homem já se alimenta na terra do alimento do mundo que há de vir, já come neste tempo o Pão da Eternidade (cf. Jo 6,32-35; Ap 2,17a), o Pão que alimenta os anjos (cf. Sb 16,20; Sl 78/77,24s), o Pão da plenitude do Reino de Deus (cf. Lc 14,15; 22,17s), Pão que é o Cordeiro para sempre imolado e vitorioso, “de pé, como que imolado” (Ap 5,6), “vencedor e para vencer ainda” (Ap 6,2)! Isto é o Banquete eucarístico, o Sacrifício da Missa, respiro do mundo, novidade que não passa, penhor do mundo que há de vir, sacramento da salvação!

 

6. Ainda tomando a oração de Raguel, observe como o Senhor tem nas mãos os dias e caminhos da nossa vida: “Bendito sejas por me haveres alegrado, por não ter sucedido o mal que eu temia!” Nos nossos dias de plena confiança na ciência e na tecnologia, o homem teme e fica somente no seu temor... E permanecer no temor conduz à angústia e ao desespero. Feliz aquele que recolhe o seu temor diante do Senhor nosso Deus, que tem nas Suas mãos benditas a nossa existência: “Quanto a mim, Senhor, confio em Ti, e digo: ‘Tu és o meu Deus! Meus tempos estão em Tua mão: liberta-me da mão dos meus inimigos e perseguidores! Faze brilhar Tua Face sobre o Teu servo, salve-me por Teu amor! Senhor, que que não me envergonhe de Te invocar!’” (Sl 31/30,15-18a) Ah, se o mundo soubesse gritar ao Senhor assim; se cada um compreendesse que o Senhor não é um Deus de longe, frio, ausente, mas, nas nossas aflições e apertos, Ele está sempre presente! De uma coisa deveríamos sempre ter plena segurança: o Senhor nos trata sempre segundo a Sua misericórdia e Sua compaixão! Reze o Sl 121/120.

 

7. Agora, pensando nos benefícios do Senhor, abençoe a Deus, dando-Lhe graças, com o Sl 136/135. Observe que este salmo começa dando graças a Deus pela Sua majestade na Glória, depois, passa para criação do céu e da terra com todas as suas criaturas; posteriormente, passa para a história do Povo de Israel e, para terminar, dá graças ao Senhor porque Ele continua cuidando de todas as Suas criaturas. Pense na sua vida, pense nas tantas e tantas coisas para dar graças a Deus e continue o salmo com as suas palavras, dando graças e bendizendo ao Senhor pelo que Ele fez na sua vida e na vida das pessoas às quais você ama!

Share on Facebook
Share on Twitter
Please reload

Siga
Please reload

Procurar por tags