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Meditação XXXIII: Bendito o Senhor pelos séculos eternos!

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Reze o Salmo 119/118,81-88

Leia e reze ainda uma vez, para concluirmos, Tb 14.

 

1. Com este capítulo, chegamos ao fim do Livro de Tobias. Nestes versículos aparece como transcorre a vida e a morte do justo, segundo o Antigo Testamento na sua mentalidade mais antiga. Aquele que é amigo de Deus tem vida longa, fartura de bens e descendência duradoura neste mundo. O texto de Tobias reflete um período quando ainda não havia a esperança na ressurreição. Esta certeza somente apareceria mais tarde, tendo seus primeiros lampejos no período imediatamente anterior ao Exílio de Babilônia (cf. Sl 16/15,10s; 49/48,16; Jó 19,25-27; Ez 37,10; 73/72,23-26) e desenvolvendo-se bem no tempo da dominação grega. Aparecem os primeiros textos sobre a ressurreição nos livros de Daniel, dos Macabeus e da Sabedoria. Vale a pena ler 2Mc 7,9; 12,43-45; Dn 12,2s; Sb 3,1-9. É que a revelação de Deus ao Seu Povo foi progressiva: como um pai educa o seu Filho, o Senhor Deus foi educando Israel e conduzindo-o ao Cristo (cf. Sl 103/102; Dt 8,5).

Observe os elementos da morte do justo, isto é, do amigo de Deus: morre em paz e na paz vive; morre na abundância de bens e de muitos anos; pratica a esmola, morre cercado de estima, honrado pelos conhecidos, sempre bendizendo o Senhor e proclamando Sua grandeza (cf. vv. 1s.14). Note como este Livro santo insistiu sobre a prática da oração, do jejum, da esmola, da caridade para com os mortos, do respeito e veneração para com os pais, da constante oração de bênção e louvor a Deus. É sempre válida a constatação neste final de escrito: a iniquidade conduz à morte! (cf. v.11) Nunca devemos esquecer isto! E lembre-se: a pior morte é a morte da alma, aquela que o Apocalipse chama de “segunda morte” (20,14s).

 

2. Leia os vv. 1-7. Volta aqui uma ideia maravilhosa e profunda, presente em todas as Escrituras Santas: o Senhor tem nas mãos a história e o destino dos povos! Mesmo no meio de toda escuridão, de todas as crises, de todas as lágrimas, o Senhor tudo guia, tudo orienta, tudo dirige e, no Seu amor infinito, conduz tudo à salvação de um modo misterioso e no tempo oportuno: “Tudo sucederá a seu tempo!” (v. 4). Pense nisto! Quanto de esperança, de serenidade, de força para caminhar esta certeza nos dá! (cf. vv. 4-5b) A Assíria, tão poderosa, a seu tempo cairia, os grandes do mundo, no tempo que o Eterno assinalou, tornar-se-iam pó: Assíria, Babilônia, Pérsia, gregos, Romanos... É assim! Permanecem o Senhor e o Seus desígnios! Reze o Sl 33/32. Repita, com fé e confiança no Senhor da história, as santas palavras de Tobit: “Sei e creio que se cumprirá tudo o que Deus disse; acontecerá, e não há de falhar nem uma palavra!” (v. 4) Reze os salmos 46/45 e 33/32.

 

3. Também aparece com força a firme esperança na restauração final do Povo de Deus. Leia os vv. 4-5. Depois da provação, que será ainda maior e mais devastadora, destruindo Jerusalém e o Templo santo de Deus (cf. 2Rs 25,1-21), Israel será reunido novamente e voltará à terra que Deus lhe dera! Todos os profetas anunciaram isto: depois dos castigos de Deus, depois de todas as lágrimas e exílios, o Povo de Deus seria restaurado! Só um exemplo: leia Jr 31,35-40: apesar de todo pecado e de todo castigo, o Eterno nunca deixará Israel, jamais irá abandonar o seu Povo. Mas, nos últimos tempos, estabelecerá no Messias, “uma Aliança nova” (cf. Jr 31,31-34). Esta fidelidade do Senhor Deus ao Seu Povo alcançará sua plenitude na Nova Aliança com o novo e definitivo Israel, que é a Igreja, o Povo nascido do sangue do Cristo, sangue de uma nova e eterna Aliança (cf. Mt 26,27s; Mc 14,24; Lc 22,20). Mas, também para o Israel segundo a carne, a fidelidade amorosa do Senhor não se esgotou. Depois do feio e gravíssimo tropeço por rejeitar o Messias de Deus, no final dos tempos, Israel haverá de contemplar o seu Messias esperado e amado, constatando, pasmo e admirado, que ele é Jesus, nosso Senhor! Leia com atenção Rm 9 – 11. Nunca esqueça: tanto o antigo Israel quanto o novo, que é a Igreja, espera o Messias. Nós já sabemos quem é Ele; Israel não o sabe! Mas, no final de tudo, com a graça de Deus nosso Senhor, o antigo e o novo Povo cantarão juntos o louvor e adoração do Pai e do Filho e do Espírito Santo!

 

4. Um traço surpreendente do Livro de Tobias é o seu universalismo, isto é, a convicção de que o amor e a salvação do Senhor Deus, a Sua bênção fecunda, são para todos os povos da terra e os povos haverão de converter-se ao Deus de Israel. Já vimos, na meditação passada, que isto foi anunciado por vários profetas, sobretudo por Isaías. Veja como termina o Escrito de Isaías: 66,18-23. Pois vem, Tb 14,6s alude à conversão de todos os povos ao Deus de Israel. Tal conversão dar-se-á em Cristo nosso Senhor! Nele, todos os povos da terra, cada ser humano, terá a possibilidade de conhecer o Deus de Abraão, de Isaac e de Jacó e o Seu Cristo, que nos faz um novo Povo para o Senhor. Leia Ef 3,1-6. Aí, o Apóstolo fala do Mistério escondido no antigo Testamento e revelado plenamente com a Ressurreição do Senhor e o envio do Espírito Santo: todos os povos são chamados à salvação. Observe como o cristianismo realmente nasce de dentro do judaísmo! A Nova Aliança não é um acréscimo externo à Antiga, mas o seu cumprimento, a sua realização, a sua plenitude! Por isso, Jesus dizia que Nele toda a Lei se cumpre (cf. Mt 5,17s) e São Paulo afirmava que o nosso Cristo é o “Sim”, o “Amém” de Deus (cf. 2Cor 1,20): tudo quanto o Eterno prometera se cumpre abundantemente no Seu Filho Jesus Cristo, Messias e Salvador do mundo inteiro! Reze o Sl 117/116.

 

5. Um outro aspecto para a nossa meditação e edificação, é o belo exemplo de piedade filial de Tobias: como cuidou dos seus pais e sogros, como foi-lhes amparo até o fim da sua existência, amparando-os na velhice e sepultando-os com veneração (vv. 11-13). Leia Eclo 3,1-16/2-18. Veja também Ef 6,1-3. É necessário aqui um exame de consciência de como tratamos nossos idosos: o cuidado, a atenção, o respeito, a veneração, o tempo dado a eles, a atenção ao que falam e aos conselhos e exemplos que podem nos dar. Nas culturas antigas, o ancião era o sábio da comunidade, era a memória vida do povo, era o guardião da história e da identidade de uma comunidade. Nos anciãos os mais jovens encontravam a experiência e a inspiração para caminharem adiante, construindo um futuro com segurança. Com a escrita, com os livros, com a comunicação digital, com a exaltação da juventude, da saúde, da curtição da vida, do bem-estar, a velhice tornou-se um mal do qual se deve fugir e no qual não se deve pensar – basta pensar na tolice de disfarçar a velhice, chamando-a de “melhor idade”. É uma coisa boba, ridícula! A velhice é bela quando é vivida com sabedoria, com a capacidade de tirar proveito das alegrias e tristezas dessa fase da vida. Alegrias como a satisfação do dever cumprido, de ver os frutos da vida que se viveu, do tempo para rezar, para conviver, para estar com os mais jovens; tristezas como as limitações, os achaques, as enfermidades, a debilidade. Tudo isto deve ser vivido diante de Deus, na ação de graças e como preparação feliz e serena para o momento do encontro com o Senhor. Portanto, é necessário que os cristãos perguntem como tratam os seus idosos! Cuidado para não deixá-los deslocados, sem ter o que conversar, cuidado para não deixá-los solitários, cuidado para não deixá-los sem atividades, cuidado para não deixá-los sem assistência religiosa! Lembre: “Honra a teu pai e tua a mãe – é o primeiro mandamento com promessa – para seres feliz e teres longa vida sobre a terra” (Ef 6,2s). Reze o Sl 71/70.

 

6. Ainda um último tema relevante: o juízo de Deus! Nos vv. 4-7, aparece claramente a diferença de destinos para os que são fieis ao Senhor e para os que não o são. Em nenhum lugar das Escrituras Santas aparece que todos serão salvos! A salvação é para todos (cf. 1Tm 2,4), o amor de Deus envolve a todos (cf. Mt 5,45), o convite à salvação é para todos (Cf. Mc 13,37), mas o Senhor manso e humilde de Coração (cf. Mt 11,28-30) sentar-Se-á no trono para julgar e separar bons e maus, dizendo “vinde!” aos bons e “apartai-vos de Mim” aos perversos (cf. Mt 25,34.41) Nunca esqueçamos disto! Levemos muito a sério a nossa vida: ela é semente de Eternidade!

Terminando este Livrinho precioso, faça um exame de consciência sobre este ponto específico e tão abrangente: como você está construindo sua vida? Como um “sim” ou como um “não” ao Senhor Deus? Reze o Sl 1. Agora, agradecendo ao Senhor por tudo quanto meditamos aqui e pedindo-Lhe a graça de colocar em prática o que Ele inspirou ao seu coração, reze o Sl 138/137. E termine louvando e agradecendo a Deus com o Sl 150! Que, como Tobit, Tobias e todos os personagens deste Livro, você possa, nesta vida, e depois, bendizer o Senhor Deus pelos séculos dos séculos. Amém (cf. Tb 14,15).

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