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Homilia para o Dia da Páscoa

April 12, 2020

 

 

 

 

Hoje é o dia mais solene do ano: é a Páscoa!

 

Aquele que vimos envolto em sangue, tomado pelas dores da morte na Sexta-feira, Aquele que velamos respeitosamente no silêncio da morte no Sábado, agora proclamamo-Lo Ressuscitado, Vivo, Vitorioso!

 

Hoje pela manhã, “quando ainda estava escuro”, nossas irmãs foram ao túmulo e encontraram-no aberto e vazio! Elas correram apavoradas: foram contar ao nosso líder, Simão Pedro. Ele foi também ao túmulo com o outro discípulo, aquele a quem Jesus amava: viram as faixas de linho no chão... O túmulo estava vazio... O que acontecera? Roubaram o corpo? Os judeus levaram-no? Que houve? Que ocorrera?

 

Na tarde de hoje, dois outros irmãos nossos estavam voltando para Emaús, sem esperança nenhuma: voltavam para sua vida de cada dia; estavam deixando a Comunidade dos discípulos, a Igreja que ia nascer: Jesus morrera, tudo acabara, a esperança fora embora... Mas, um Desconhecido começou a caminhar com eles, e lhes falava sobre tudo quanto a Escritura havia predito a respeito do Messias: Sua pregação, Suas dores, Sua derrota, Sua morte, Sua vitória final... E o coração daqueles dois começou a encher-se de nova esperança, a arder de alegria! Eles, agora, começavam a compreender: tudo quanto havia acontecido com Jesus não fora simplesmente um cego absurdo, uma loucura, um sinal de maldição! Tudo fazia parte de um incrível projeto de amor do Pai: “Será que o Cristo não devia sofrer tudo isso para entrar na Sua Glória?” E, o que é mais impressionante: ao sentarem-se à mesa, o Desconhecido tomou a iniciativa, não esperou o dono da casa: pegou o pão e deu graças, partiu-o.... Coisa impressionante, irmãos: os olhos daqueles dois se abriram, e eles o reconheceram: era Jesus! Jesus vivo! Jesus reconhecido nas Escrituras e no partir o pão! Como mais uma vez, acontecerá agora, nesta Missa! Os dois voltaram, imediatamente a Jerusalém e, lá, a alegria foi maior ainda: os apóstolos confirmaram: “Realmente, o Senhor ressuscitou e apareceu a Simão Pedro!”

 

Irmãos, por esta fé nós vivemos, por esta fé somos cristãos, por esta fé empenhamos a vida toda! Neste Dia santíssimo, Jesus entrou na Glória do Pai. Nós continuamos aqui; Ele já não mais está preso a dia algum, a tempo algum, a limitação alguma: Ele entrou na Eternidade de Deus, na plenitude do Seu Deus e Pai! Irmãos, escutai: a Morte, hoje, foi vencida! Jesus abriu o caminho, Jesus atravessou o tenebroso e doloroso mar da Morte, Jesus entrou no Pai! Jesus “passou”, fez Sua Páscoa!

 

Mas, não só: Ele fez isso por nós, por cada um de nós: “Vou preparar-vos um lugar... a fim de que, onde Eu estiver, estejais vós também” (Jo 14,2-3). Ele, que morrera da nossa Morte, tem agora o poder de nos dar a Sua vitória. Para isso, irmãos, Ele nos deu, no Batismo, o Seu Espírito de ressurreição, o mesmo no qual o Pai O ressuscitou na madrugada de hoje!

 

Irmãos, eis a Páscoa de Cristo e nossa! Na certeza desta Vida nova, renovemos nossa própria vida! “Se ressuscitastes com Cristo, esforçai-vos para alcançar as coisas do Alto, onde Cristo está sentado à direita de Deus!” Vivamos uma Vida nova em Cristo! Crer na Sua Ressurreição, viver Sua Vida de ressuscitado é, já agora, viver numa perspectiva nova, viver com o olhar a partir da Eternidade. São Paulo nos diz, para a Festa de hoje: “Cristo, nosso Cordeiro pascal, foi imolado. Celebremos a Festa, não com o velho fermento, nem com o fermento da maldade ou da perversidade, mas com os pães sem fermento de pureza e de verdade”. É o pão sem fermento, pão ázimo, da Eucaristia que vamos comer daqui a pouco; pão que é o próprio Cordeiro imolado, Cordeiro pascal, Cordeiro que tira o pecado do mundo! Nós vamos entrar em comunhão com Ele, vivo e vencedor!

 

Irmãos, Irmãs!

 

            Pelo dia de hoje, não mais tenhamos medo do pecado, da maldade e da morte!

            Pela festa deste hoje bendito, abramos nosso coração a Deus e aos irmãos!

            Pela Páscoa que estamos celebrando, perdoemo-nos, acolhamo-nos e demo-nos a paz!

            

            Terminemos com as comoventes palavras da Liturgia Bizantina:

 

Dia da Ressurreição,

resplandeçamos, ó povos!

Páscoa do Senhor! Páscoa!

Cristo Deus nos fez passar

da morte à Vida, da terra ao Céu,

entoando o hino de Sua vitória!

Purifiquemos os sentidos e veremos

a Luz inacessível da Ressurreição

a Cristo resplandecente

que diz: Alegrai-vos!

 

Exultem os Céus e a terra.

Exulte o universo inteiro, visível e invisível:

Cristo ressuscitou. Alegria eterna!

Exultem os Céus e exulte a terra,

faça festa todo o universo

visível e invisível.

Alegria eterna,

porque Cristo ressuscitou!

 

Dia da Ressurreição,

resplandeçamos, ó povos:

Cristo ressuscitou dentre os mortos,

ferindo com Sua Morte a própria morte

e dando a Vida aos mortos em seus túmulos.

Ressurgindo do túmulo,

como havia predito

Jesus nos deu a Vida eterna e a grande misericórdia!

 

Este é o Dia que o Senhor fez:

seja ele nossa alegria e nosso gozo!

Páscoa dulcíssima,

Páscoa do Senhor, Páscoa!

Uma Páscoa santíssima nos amanheceu.

 

Páscoa! Plenos de gozo,

abracemo-nos todos!

Ó Páscoa, que dissipas toda tristeza!

É o Dia da Ressurreição!

Irradiemos alegria por tal Festa,

abracemo-nos mutuamente

e chamemos de irmãos até àqueles que nos odeiam;

perdoemos-lhes tudo

por causa da Ressurreição,

e gritemos sem cessar dizendo:

 

Cristo ressuscitou dentre os mortos,

ferindo a morte com a Sua Morte

e dando a Vida aos mortos em seus túmulos!

 

Amados Irmãos, queridas Irmãs, Surrexit Dominus vere! O Senhor ressuscitou verdadeiramente! Aleluia! Feliz Páscoa!

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