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Homilia para o XI Domingo Comum - Ano A

June 14, 2020

 

 

 

 

Ex 19,2-6a

Sl 99

Rm 5,6-11

Mt 9,36 – 10,8

 

Caríssimos no Senhor, a Palavra que ouvimos neste Domingo sagrado convida-nos a olhar com os olhos da fé para a Igreja, Povo santo de Deus. Mas, atenção: olhar a Igreja não significa pensar no Vaticano ou nas dioceses ou na hierarquia ou no aparato visível da instituição histórica! Nada disso! Esta seria uma visão pobre, superficial! A alma da Igreja, sua essência está bem mais escondida no Coração e no desígnio do Senhor! A Igreja é mistério de fé e somente à luz da fé pode ser compreendida, ainda que sua realidade mais profunda nunca possa ser esgotada pelo nosso entendimento.

Contemplar a Esposa de Cristo, nossa Mãe católica, significa, primeiramente, olhar para nós mesmos, para o Povo reunido na Unidade do Pai e do Filho e do Espírito Santo, aquele Povo de quem diz a Escritura, na Primeira Epístola de São Pedro: “Vós sois uma raça eleita, um sacerdócio real, isto é, um sacerdócio do Reino de Deus, uma nação santa, o Povo de Sua propriedade, a fim de que proclameis as excelências Daquele que vos chamou das trevas para a Sua luz maravilhosa; vós, que outrora não éreis povo, mas, agora, sois o Povo de Deus, vós, que não tínheis alcançado misericórdia, mas, agora, alcançastes misericórdia” (2,9s).

 

Comecemos com a primeira leitura: Israel, o Povo da Antiga Aliança, imagem e princípio da Igreja, Povo que é a raiz santa de onde viemos! Tudo que as Escrituras dizem do antigo Israel servem para nós, Igreja de Cristo, novo “Israel de Deus” (Gl 6,16). Saídos do Egito de modo maravilhoso, libertados pela benevolência e o poder do Senhor Deus, os israelitas chegaram aos pés do Monte Sinai. Ali, o Senhor Deus de Abraão, de Isaac e de Jacó iria fazer um pacto, uma aliança com o Seu Povo. Vede, Irmãos, saídos do Egito na Páscoa, cinquenta dias depois chegaram aos pés do Sinai para o Pentecostes, a festa da Aliança, do dom da Lei! Então, o Senhor Deus, através de Moisés, recordou aos israelitas todo o bem que lhes fizera. E resumiu tudo em palavras cheias de ternura, que ouvimos na primeira leitura: “Eu vos levei sobre asas de águia e vos trouxe a Mim!” Em outras palavras: Eu vos atraí, Eu cuidei de vós, Eu vos protegi, vos guardei! Eu vos escolhi! Compreendeis, Irmãos? Israel foi um Povo amado, escolhido, atraído, cuidado gratuitamente pelo Senhor! Israel não fizera nada para merecer tão grande graça, tão singular dom!

 

O Senhor escolhera Israel por puro amor. E revela que tem um plano, um desígnio para esse Povo: “Se ouvirdes a Minha voz e guardardes a Minha Aliança, sereis para Mim a porção escolhida dentre todos os povos porque Minha é toda a terra. E vós sereis para Mim um Reino de sacerdotes e uma Nação santa!” Em outras palavras: Israel deveria ser propriedade exclusiva do Senhor no meio dos outros povos; Israel deveria ter somente o Senhor por seu Deus; Israel deverá ter por lei, vida e norma somente os preceitos do Senhor. E por quê? Para quê? Porque toda a terra é do Senhor e Ele deseja que Israel seja um Povo separado, um Povo escolhido, consagrado, um Povo sacerdotal, um Povo que, em nome dos outros povos da terra, louve, sirva e adore o Senhor e diante dos outros povos dê testemunho do verdadeiro e único Deus! Israel deveria ser um Reino de servidores do Senhor em nome de toda a criação e de todos os povos. Eis o seu sacerdócio! Israel viveria no meio dos povos, mas seria um Povo diferente, em benefício de todos os povos! A resposta do Povo não apareceu no trecho da liturgia de hoje, mas está lá, nas Escrituras: “O Povo exclamou: ‘Tudo o que o Senhor disse, nós o faremos’” (Ex 19,8).

 

Agora, pensemos no Evangelho que escutamos: o mundo, os povos são descritos por São Mateus como “multidões cansadas e abatidas, como ovelhas que não têm pastor”, isto é, uma multidão sem rumo de sentido e de pensamento, uma humanidade desiludida, sem uma orientação, um propósito global que dê verdadeira razão para viver, sonhar, ser bom e verdadeiramente empenhar a vida como um todo. O homem é assim: tem sede de um sentido para a existência e, no entanto, não o encontra, contentando-se com migalhas de pequenos projetos e e realização e nelas cansando o coração.

Compadecido, penalizado, o Senhor Jesus olha para estas multidões de ontem e de hoje... O que faz? Como o Senhor Deus, na antiga Aliança, forma um Povo. Chama os Doze, como alicerce do Seu novo Israel, um Povo que seja também Povo sacerdotal a serviço de todos os povos, de todas as multidões do mundo! Esse Povo é a Igreja; esse Povo somos nós, novo e definitivo Israel, do qual o antigo era imagem e profecia! Observai, caríssimos, que não será um Povo forte da sua própria força: será sempre formado por uns poucos operários! Sim, operários, aqui, são todos os cristãos, são todos os membros desse Povo! Observai que é o Senhor quem chama os operários, membros desse Povo, e, por isso, é preciso suplicar ao Senhor da messe do mundo que Ele mesmo chame, que Ele mesmo atraia, que Ele mesmo envie operários à Sua messe. Nunca esqueçamos: o Povo é do Senhor, os operários são chamados pelo Senhor e a colheita também pertence ao Senhor! Tudo é Dele; tudo é para Ele! Irmãos, o destino da Igreja não é ser maioria, não é se encher de poder e prestígio, não é sua própria glória, não é ser aplaudida pelo mundo! A Igreja não existe para si mesma, mas para ser ministra, testemunha e mensageira do Reino de Deus! Quantas vezes nos enganamos com estas coisas, ontem e hoje ainda!

Observai bem o significado das recomendações que o Senhor dá aos Seus operários, aos cristãos, a nós, à Igreja: Ele mesmo é o Senhor da obra de evangelização, Ele mesmo diz o traçado, o ritmo, o caminho. Não são nossos projetos, nossas técnicas, nossas medidas! Nós somos o Seu Povo, o Povo que Cristo veio reunir com o Seu sangue, com a Sua Morte amorosa e Ressurreição poderosa! Por isso o Pai entregou o Seu Filho: para que, salvos da ira, isto é, da situação miserável de pecado e perdição em que se encontra toda a humanidade, nós vivamos agora “por Sua Vida”, isto é, pela Vida divina, o Espírito divino do Cristo ressuscitado! É este o serviço sacerdotal do novo Povo de Deus, a Igreja de Cristo: levar ao mundo, a todos os povos, a todas a multidões “cansadas e abatidas” a Boa Notícia de que “Deus amou tanto o mundo, que entregou o Seu Filho único, para que todo aquele que Nele crê não pereça, mas tenha a Vida eterna” (Jo 3,16), como São Paulo nos disse com outras palavras na Epístola desta Missa.

 

Éramos pecadores, vivíamos segundo nossos pecados, seguindo e elogiando a índole deste mundo, “por natureza, como os demais, filhos da ira” (Ef 2,3), éramos fracos, éramos ímpios e Cristo foi entregue por nós, lavou-nos no Seu amor feito sangue e nos justificou, isto é, tornou-nos justos, amigos, diante de Deus, o Pai! Queridos no Senhor, o pecado, a dispersão humana não são uma brincadeira: “éramos inimigos de Deus”, diz-nos hoje o Apóstolo! É esta a realidade da humanidade sem Cristo! Não há escapatória! As Escrituras nos advertem todo o tempo sobre isto! Aqui não há apelo, não há disfarces, não há politicamente correto que mascare esta triste realidade! Se o fizermos, trairemos a Palavra de Deus, a Sua divina Revelação! É em Cristo que somos reconciliados, salvos, reunidos como novo Povo de Deus, que é a Igreja.

 

Mas, atenção: ser membro desse Povo santo, que é uma graça enorme, não nos confere privilégios ou superioridades diante dos demais! Somos, primeiramente, um Povo consagrado: pertencemos ao Senhor, não a nós mesmos, a ponto de o Apóstolo afirmar claramente: “Ninguém de nós vive e ninguém de nós morre para si mesmo, porque se vivemos, é para o Senhor que vivemos, e se morremos, é para o Senhor que morremos. Portanto, quer vivamos, quer morramos, pertencemos ao Senhor” (Rm 14,7s); somos o Povo sacerdotal, que tem como dever e missão proclamar o Reino que não é nosso, mas do Senhor; e fazê-lo não dos nossos modos, mas segundo aqueles modos e tempos e pensamentos do Senhor, que têm como critério o amor manifestado na Cruz e na Ressurreição. O anúncio é do Senhor, na força do Senhor e nos critérios do Senhor! Eis que enormes desafios para a Igreja atual! Como o Israel do Antigo Testamento, somos nós um Povo que vive da misericórdia de Deus e não deveria ter outro compromisso a não ser levar Deus ao mundo e o mundo a Deus, trazer a Vida divina e plena do Pai através do Filho, no Espírito e levar tudo ao Pai, pelo Filho no Espírito até que Deus seja tudo em todos! A missão da Igreja são as coisas de Deus, a voz da Igreja deve ser eco da Palavra de Deus, os gestos da Igreja devem ser os sacramentos da graça de Deus, os critérios da Igreja devem ser os critérios do Reino de Deus, tais como aparecem no Evangelho! Eis aí o Povo santo, o Povo escolhido, o Povo separado, o Povo sacerdotal, o Povo enviado, o Povo que traz em si a Vida da eternidade! É desta Vida que o Senhor fala, é esta Vida que Ele nos dá para reparti-la com o mundo, é com esta Vida divina e eterna o nosso compromisso!

 

Eis, pois, caríssimos Irmãos, o mistério da Igreja, da sua missão sagrada, o nosso mistério! Sim, porque a Igreja que é tudo isso, realiza-se concretamente nas nossas comunidades, nas nossas assembleias eucarísticas e em cada um de nós, na sua vida e nos seus desafios, enquanto caminhamos para a Pátria eterna. Que o Senhor nos dê a graça de sermos fieis, nós a Igreja deste atribulado e incerto terceiro milênio, a Igreja peregrina no mundo, sempre em situações tão mutáveis e, no entanto, a mesma Igreja de Cristo, una, santa, católica e apostólica. Ao Senhor que nos chamou e jamais nos deixará, a glória pelos séculos dos séculos. Amém.

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